Barroco

O BARROCO

O barroco surgiu na Itália após o Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, que reuniu a cúpula da Igreja Católica para reagir à Reforma Protestante. Assim, é uma estética intimamente ligada à Contra-Reforma e, seja na pintura, na escultura, na arquitetura, na música ou na literatura, há o predomínio da emoção sob a razão. Nosso foco aqui será a pintura, a escultura e a arquitetura, três formas de arte que muitas vezes andaram juntas para que o objetivo da Igreja Católica fosse atingido: emocionar o espectador diante da dramaticidade das telas e das esculturas, da riqueza dos ornamentos, fazê-lo se sentir pequeno diante da imponência da arquitetura das igrejas, para que ele mais facilmente se entregasse à fé. Uma igreja barroca funcionava como um grande teatro cuja função era comover o espectador pelo estímulo sensorial e pelo apelo afetivo.

Vamos usar como exemplo para ilustrar a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, cujo projeto arquitetônico e os ornamentos são de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e as pinturas de Manuel da Costa Ataíde.

Observem a Nave da Igreja:

Reparem na arquitetura da igreja, nos ornamentos, na riqueza de detalhes. Entrando na igreja é essa a visão lateral que temos. Olhando para cima nos deparamos com essa imagem:

No detalhe:

A pintura no teto da igreja é uma das obras mais importantes a arte colonial brasileira. O tema é um tema comum na história das artes: a ascensão da Virgem Maria. Porém a riqueza de detalhes e a beleza da pintura faz com que o observador tenha a impressão de que não está sob um teto, mas, sim, sob o céu, presenciando o exato momento de ascensão da Virgem. Obsevem que mestre Athaide ainda fez uso de uma certa lincença poética, ao pintar os personagens da cena como mulatos, e não como brancos, como era o comum.

Diante disso tudo, imagine o homem inserido no barroco, no contexto da Contra-Reforma, dividido entre a constatação de que a vida é efêmera, de que nada escapa à força do tempo, de um desejo de viver o momento presente e o medo de pecar e ser condenado, de condenar sua alma imortal; imagine esse homem entrando numa igreja dessa, iluminada por velas, com sobras projetadas nas parades, paredes de uma arquitetura rebuscada, de colunas retorcidas, ornamentadas com ouro, cobertas de telas e esculturas carregadas de dramaticidade, mostrando o sofrimento de Cristo, com o teto pintado desta forma, a música barroca carregada de emoção tocando e, depois, no púlpito, o pastor pregando através de sermões conceptistas.

Imaginou? Era praticamente uma lavagem cerebral! Difícil não se comover e não se deixar levar pela emoção, caminho mais rápido para alcançar a fé.

Ah, eu falei um pouco sobre ornamentos, não foi? Então deixa eu ilustrar como os ornamentos atuam nesse grande teatro:

Esse é o Painel da Pintura de Frei Ricardo do Pilar, que fica no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Olhem a pintura:

Pintura típica do Barroco, apresentando grande carga de dramaticidade e extremo realismo, reforçados pelo jogo entre luz e sombra.

E então? Que acharam do Barroco? Eu, particulamente, adoro.

Steller de Paula

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