Tendências Contemporâneas

O CONCRETISMO

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(Décio Pgnatari)

Tem como marco inicial a publicação da revista “Noigandes” e como principais representantes os escritores paulistas Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos.

Características:

– Propunha incorporar, à poesia, os signos da sociedade moderna, aliando a observação dos aspectos formais e a observação crítica da realidade.

– Determina uma ruptura radical com o lirismo: a poesia intimista deveria ser substituída pela concretude das palavras, utilizadas no seu aspecto verbi-voco-visual (semântico, sonoro e visual).

– Combate a exclusividade do verso.

–  “Os elementos de composição característicos da poesia concreta são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes.“

– “Talvez se pudesse concluir que um poemaconcreto seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras.“

– “A poesia concreta significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial, e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade.“

Sabemos que a Poesia Concreta adota, entre outros procedimentos, a valorização do poema no espaço branco da página. Com apoio das artes gráficas, os textos ganham em expressividade visual.

POESIA PRÁXIS

O poeta Mário Chamie “opõe à palavra-coisa, do concretismo, a palavra-energia; não considera o poema como um objeto estático e fechado e sim como um produto dinâmico, passível de transformação pela influência ou manipulação do leitor”, fundando, assim, o movimento da Poesia Práxis.

Procura denunciar a desumanidade da vida moderna, do capitalismo, da exploração do operariado e do campesinato e outras questões adjacentes.

Apesar de possuir adeptos, pouco sobrevive ao momento e às razões que a motivaram.

AGIOTAGEM

um
dois
três
o juro:o prazo
o pôr / o cento / o mês / o ágio

p o r c e n t a g i o.

dez
cem
mil
o lucro:o dízimo
o ágio / a mora / a monta em péssimo

e m p r é s t i m o.

muito
nada
tudo
a quebra:a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota

h a j a   n o t a
agiota.

Mário Chamie

 

POESIA MARGINAL

O clima de experimentação da Tropicália influenciou, na década de 1970, a Poesia Marginal. Era marginal o modo como os poetas faziam circular sua produção: eles abandonaram os meios tradicionais (editoras, livros, livrarias) e levaram a poesia às praças, às ruas, às universidades. Os textos circulavam em cópias mimeografadas, distribuídos de mão em mão, jogados de edifícios.

A Poesia Marginal adotou o humor, tentando mostrar caminhos diferentes para a crise que, além de imobilizar, calava a sociedade brasileira.

Poema para ser transfigurado

quem somos

o que queremos

logo logo saberemos

por enquanto

sabemos

que um gesto

uma palavra

pode transformar o mundo

qual deles

qual delas

saberemos já já

esta a missão do artista:

experimentar

Chacal

Pegando carona na Poesia Marginal, mas desenvolvendo um caminho mais independente, surge a poesia plural de Paulo Leminski.

Tendo se interessado pela obra dos concretistas, Leminski explorou os trocadilhos, flertou com o processo de “palavra puxa palavra” e enveredou pela composição de haikais.

Haikai

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Haicai é uma forma poética oriental formada por 17 sílabas distribuídas em versos de 5 – 7 sílabas métricas. Também deve conter um termo referente a uma das estações do ano

Não Discuto

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

Carrego o peso da lua

Carrego o peso da lua,
Três paixões mal curadas,
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.Viver de noite
Me fez senhor do fogo.
A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não.
Esse, eu mesmo carrego.

Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

Paulo Leminsk

PROSA CONTEMPORÂNEA

Nas últimas décadas do século XX, a cultura brasileira vivenciou um período de acentuado desenvolvimento tecnológico e industrial; entretanto, neste período, ocorreram diversas crises no campo político e social.

As manifestações literárias desse período desenvolvem-se a partir de duas linhas:

a) De um lado, a permanência de alguns autores já consagrados como João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade, acompanhados de novos talentos como Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan, ligados às linhas tradicionais da literatura brasileira: regionalismo, intimismo, urbanismo, introspecção psicológica.

b) De outro lado, a ruptura com valores tradicionais que se dispersam através de propostas alternativas ou experimentais, buscando novos caminhos ou exprimindo de maneiras pouco convencionais as tensões de um país em repressão. Nessa vertente nascem o Concretismo, a Poesia Práxis e os Romances Fantásticos.

A prosa fica marcada pela quebra dos limites entre os gêneros literários: romance e conto, conto e crônica, crônica e notícias; desdobram-se e acabam incorporando técnicas e linguagens antes fora dos seus domínios. Dessa forma, aparecem romances com ares de reportagem, biografias com lances romanescos, contos parecidos com poemas em prosa ou com crônicas, etc.

Romance Regionalista

Seguindo um caminho tradicional, iniciado desde o Romantismo, uma safra de bons escritores continua a retratar o homem no ambiente das zonas rurais, com seus problemas geográficos e sociais.

Ex: Mário Palmério (Vila dos Confins); José Cândido e Carvalho (O Coronel e o Lobisomem); Antônio Callado (Quarup).

Romance Intimista

Na mesma linha de Clarice Lispector, caracterizando-se pela sondagem interior e pela indagação dos problemas humanos, vários autores fazem uso da investigação psicológica dos personagens, desnudando seus traumas, medos, anseios, problemas existenciais, etc.

Ex: Lygia Fagundes Telles (As meninas); Fernando Sabino (O Encontro Marcado); Chico Buarque (Estorvo); Lya Luft (Reunião em Família); entre outros.

Romance Urbano – Social

Retrata a vida nos grandes centros urbanos com seus problemas específicos: a burguesia e o proletariado em constante luta pela ascensão social, violência urbana, solidão e marginalização.

Romance Histórico

Une narrativa policial, fatos políticos e abordagem histórica.

Ex: Rubem Fonseca (Agosto); Ana Miranda (Boca do Inferno); Fernando Morais (Olga).

 

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