O Romance de 30

O Romance de 1930

“As décadas de 30 e 40 foram marcadas por uma explosão do romance. Não por acaso, essa época é lembrada como “a era do romance brasileiro”. Os escritores, preocupados com o país em que viviam, privilegiaram a narrativa como instrumento de análise e denúncia de uma realidade que condenava milhares de brasileiros à miséria.

O prenúncio dessa tendência se dá com a publicação de A Bagaceira, em 1928, do paraibano José Américo de Almeida. A obra associa o olhar realista a um tema específico: a vida no nordeste brasileiro.

A partir daí, defini-se um nova tendência: a apresentação e a análise crítica da realidade brasileira, procurando alertar o leitor da condição de subdesenvolvimento do país, principalmente da região nordeste, denunciando as aguras da seca e da migração, a miséria, a fome e a ignorância sempre presentes na região rural. São retomados o regionalismo romântico e o Realismo do século XIX.

Abandonando a idealização romântica e a impessoalidade realista, o Romance de 30 inova ao apresentar o interesse pela relação entre os seres humanos e os espaços por eles habitados e no estudo das relações sociais, com uma visão crítica.

Lembre: O regionalismo não é uma escola literária. É um tipo de abordagem que está presente em diferentes escolas literárias. São considerados regionalistas os romances que abordam a realidade específica de uma região, caracterizada por particularidades geográficas e por tipos humanos específicos, que usam a linguagem de um modo próprio e têm práticas sociais e culturais semelhantes.

Assim, os escritores queriam demonstrar como o subdesenvolvimento brasileiro influenciou a vida dos seres humanos, como esses seres são influenciados pelo espaço em que vivem e almejavam traçar o perfil social e psicológico dos habitantes de determinadas regiões brasileiras.

Sobre a Natureza

“O exotismo e a exuberância da natureza brasileira tanto inspiraram os autores românticos quanto os modernistas.”

“O ufanismo nacionalista foi explorado no Romantismo, enquanto no Modernismo havia, para o nacionalismo, uma perspectiva crítica.”

“Para os românticos, a natureza exerceu profundo fascínio; nela eles viam a antítese da civilização que os oprimia.”

“Nas várias tendências do movimento modernista, a natureza não se apresenta transfigurada, mas real. Os modernistas não se consideravam nacionalistas exaltados só pelo simples fato de serem brasileiros. Antes de mais nada, não tinham medo de falar dos males do Brasil.”

GRACILIANO RAMOS

Nasceu em Alagoas em 1892 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. foi prefeito de Palmeira dos Índios (Alagoas) de 1928 a 1930. Seu nome já é citado como o maiorromancista brasileiro, ao lado de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Sua infância está ligada ao Nordeste brasileiro, de onde retirou elementos para a maioria dos seus romances: a paisagem agreste, pequenas cidades, o caboclo. Contudo, é bom ressaltar que nunca o cenário, embora importante, prevaleceu sobre o psicológico. Graciliano é o revelador da alma humana. Machado de Assis pesquisou o espírito humano, tendo como cenário a alta burguesia da    cidade do Rio de Janeiro no final do séc XIX; Graciliano Ramos mergulha no recôndito da alma humana, tendo como cenário o nordeste brasileiro nos começos do século XX.

A obra de Graciliano pode ser dividida assim:

-Romances escritos em primeira pessoa: de profundo mergulho na alma humana. São essencialmente romances psicológicos: Caetés, São Bernardo, Angústia.

-Romance escrito em terceira pessoa onde o psicológico cede um pouco à realidade exterior: Vidas Secas.
-Obras autobiográficas, em que o íntimo busca sua expressão mais pura: Infância e Memórias do Cárcere.
-Escreveu ainda: Histórias de Alexandre –  contos do folclore infanto-juvenil; Alexandre e outros Heróis contos e outros; A Terra dos Meninos Pelados conto infanto-juvenil;

-Crônicas: Viagem; Linhas Tortas.

Importante:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja  na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no  novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.“

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948

Observações sobre Graciliano Ramos:

Seu primeiro romance foi CAETÉS. Entre 1930 e 1936, relacionou-se com escritores da vanguarda da literatura nordestina, como José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. Em março de 1936, foi preso como subversivo e, mesmo sem provas contrárias, passou quase um ano no presídio. O depoimento exato dessa experiência foi feito em MEMÓRIAS DO CÁRCERE. Em 1945, estava consagrado, sendo considerado o maior romancista brasileiro depois de Machado de Assis.

O estilo conciso, a linguagem sóbria, a técnica da interiorização e a análise psicológica caracterizam-no, principalmente em sua obra “Angústia”.

De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e psicologia das personagens. Quanto à linguagem, eis algumas características apontadas pela crítica: a poupança verbal; a preferência dada aos nomes de coisas e, em conseqüência, o pouco uso do adjetivo; a sintaxe clara, em oposição ao à-vontade gramatical dos modernistas…

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s