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Concordância Nominal

Regra geral:

O artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo concordam com o substantivo a que se referem em gênero e número.

Ex.: Dois pequenos goles de vinho e um calçado certo deixam qualquer mulher irresistivelmente alta.

Mais de um vocábulo determinado:

1- Pode ser feita a concordância gramatical ou a atrativa.
Exemplos:

Comprei um sapato e um vestido pretos. (gramatical – o adjetivo concorda com os dois substantivos)

Comprei um sapato e um vestido preto. (atrativa, apesar de o adjetivo se referir aos dois substantivos, ele concordará apenas com o núcleo mais próximo)

Um só vocábulo determinado:

1- Um substantivo acompanhado (determinado) por mais de um adjetivo: os adjetivos concordam com o substantivo

Ex.: Seus lábios eram doces e macios.

Casos Especiais

1.Anexo, incluso, bastante, leso

Concordam com a palavra a que se referem:

Remeto-lhe anexas as certidões. O mapa anexo.

Seguem inclusas as procurações.  A procuração inclusa.
Bastantes alunos foram reprovados.
Este é um crime de lesa-pátria.
OBS: Bastante aparece também como advérbio – Ela parecia bastante preocupada
com a prova.

2.Pseudo, alerta, menos
Como são advérbios, ficam invariáveis:

Os vigias devem estar alerta.
Sempre desprezou pseudoprofetas.
A menina tinha menos obrigações que divertimentos.

3. É proibido, é bom, é necessário.
Sem modificações, ficam invariáveis.

É proibido entrada (Com modificação: É proibida a entrada)
Cerveja é bom. (Com modificação: Esta cerveja é boa)
Coragem é necessário (Com modificação: A coragem é necessária)

4.Mesmo, próprio, obrigado
Concordam com a palavra a que se referem

Ele mesmo. Ela mesma. Eu próprio. Eu própria.
O rapaz disse: muito obrigado.
A moça respondeu: muito obrigada.

5.Só, sos
Significando sozinho, solitário, único, são adjetivos e concordam com a palavra que
modificam

Pedro e Mário partiram sós. Augusto ficou só.
OBS: Significando apenas, somente, tornam-se advérbio e não variam:
Só eles tiveram coragem.
Vocês só fizeram isso??

6.Meio, meia, são variáveis como adjetivo; com valor de advérbio, meio é invariável.

Compramos meio quilo de feijão
Tomei meia xícara de leite
Encontrei-a meio triste
Eles estavam meio nervosos

7.Quite, quites. Variáveis porque são adjetivos:

Eu estou quite.
Eu e ela estamos quites com a mensalidade.

8.Adjetivos que funcionam como advérbios

Caro: As jóias custam caro.
Diferente: Eles trabalham diferente.
Direto: Fomos direto ao ponto de ônibus
Ligeiro: Sigam ligeiro, rapazes!
Rápido: O bandido sacou rápido a arma
Suave: A garota dançou suave.

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Resumos das Crônicas

Perdição – A crônica trata, de forma bem humorada dos vícios e das dificuldades de se livrar deles.

Livre – Mostra o paradoxo de um homem que ambiciona fugir da civilização e embrenhar-se na selva amazônica, mas não consegue se desapegar dos bens materiais que facilitam a vida moderna.

Quem tem olhos – O texto concentra-se nas reflexões feitas a partir de uma mulher postada à janela, diante de uma parede de um prédio vizinho. O fato, que inicialmente aparenta ser sem sentido, posteriormente se mostra pleno de significado, pois a mulher vê diante de si: fantasias, lembranças, desejos, projetados na parede à frente pela sua imaginação.

E a múmia tinha bolsa – Diante da descoberta de uma múmia de homem, e de que esta andava com uma espécie de bolsa, a crônica reflete sobre a importância desse acessório e sobre as semelhanças entre o Homem de tempos remotos e o homem moderno.

No zoológico em companhia – A autora  elaborou o texto usando como referência frases feitas, provérbios e apelidos em que aparecem nomes de animais.

Em “Amai o próximo etc. …”, Marina Colasanti comenta o problema da falta de educação e boas-maneiras que impera em nossa sociedade hoje em dia.

Em “Da importância do diploma”, Mario Prata ironiza a importância dada ao diploma na sociedade brasileira. Em forma de diálogo, a crônica mostra um pai ensinando ao filho como se dar bem no Brasil de hoje.

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O Romance de 30

O Romance de 1930

“As décadas de 30 e 40 foram marcadas por uma explosão do romance. Não por acaso, essa época é lembrada como “a era do romance brasileiro”. Os escritores, preocupados com o país em que viviam, privilegiaram a narrativa como instrumento de análise e denúncia de uma realidade que condenava milhares de brasileiros à miséria.

O prenúncio dessa tendência se dá com a publicação de A Bagaceira, em 1928, do paraibano José Américo de Almeida. A obra associa o olhar realista a um tema específico: a vida no nordeste brasileiro.

A partir daí, defini-se um nova tendência: a apresentação e a análise crítica da realidade brasileira, procurando alertar o leitor da condição de subdesenvolvimento do país, principalmente da região nordeste, denunciando as aguras da seca e da migração, a miséria, a fome e a ignorância sempre presentes na região rural. São retomados o regionalismo romântico e o Realismo do século XIX.

Abandonando a idealização romântica e a impessoalidade realista, o Romance de 30 inova ao apresentar o interesse pela relação entre os seres humanos e os espaços por eles habitados e no estudo das relações sociais, com uma visão crítica.

Lembre: O regionalismo não é uma escola literária. É um tipo de abordagem que está presente em diferentes escolas literárias. São considerados regionalistas os romances que abordam a realidade específica de uma região, caracterizada por particularidades geográficas e por tipos humanos específicos, que usam a linguagem de um modo próprio e têm práticas sociais e culturais semelhantes.

Assim, os escritores queriam demonstrar como o subdesenvolvimento brasileiro influenciou a vida dos seres humanos, como esses seres são influenciados pelo espaço em que vivem e almejavam traçar o perfil social e psicológico dos habitantes de determinadas regiões brasileiras.

Sobre a Natureza

“O exotismo e a exuberância da natureza brasileira tanto inspiraram os autores românticos quanto os modernistas.”

“O ufanismo nacionalista foi explorado no Romantismo, enquanto no Modernismo havia, para o nacionalismo, uma perspectiva crítica.”

“Para os românticos, a natureza exerceu profundo fascínio; nela eles viam a antítese da civilização que os oprimia.”

“Nas várias tendências do movimento modernista, a natureza não se apresenta transfigurada, mas real. Os modernistas não se consideravam nacionalistas exaltados só pelo simples fato de serem brasileiros. Antes de mais nada, não tinham medo de falar dos males do Brasil.”

GRACILIANO RAMOS

Nasceu em Alagoas em 1892 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. foi prefeito de Palmeira dos Índios (Alagoas) de 1928 a 1930. Seu nome já é citado como o maiorromancista brasileiro, ao lado de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Sua infância está ligada ao Nordeste brasileiro, de onde retirou elementos para a maioria dos seus romances: a paisagem agreste, pequenas cidades, o caboclo. Contudo, é bom ressaltar que nunca o cenário, embora importante, prevaleceu sobre o psicológico. Graciliano é o revelador da alma humana. Machado de Assis pesquisou o espírito humano, tendo como cenário a alta burguesia da    cidade do Rio de Janeiro no final do séc XIX; Graciliano Ramos mergulha no recôndito da alma humana, tendo como cenário o nordeste brasileiro nos começos do século XX.

A obra de Graciliano pode ser dividida assim:

-Romances escritos em primeira pessoa: de profundo mergulho na alma humana. São essencialmente romances psicológicos: Caetés, São Bernardo, Angústia.

-Romance escrito em terceira pessoa onde o psicológico cede um pouco à realidade exterior: Vidas Secas.
-Obras autobiográficas, em que o íntimo busca sua expressão mais pura: Infância e Memórias do Cárcere.
-Escreveu ainda: Histórias de Alexandre –  contos do folclore infanto-juvenil; Alexandre e outros Heróis contos e outros; A Terra dos Meninos Pelados conto infanto-juvenil;

-Crônicas: Viagem; Linhas Tortas.

Importante:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja  na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no  novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.“

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948

Observações sobre Graciliano Ramos:

Seu primeiro romance foi CAETÉS. Entre 1930 e 1936, relacionou-se com escritores da vanguarda da literatura nordestina, como José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. Em março de 1936, foi preso como subversivo e, mesmo sem provas contrárias, passou quase um ano no presídio. O depoimento exato dessa experiência foi feito em MEMÓRIAS DO CÁRCERE. Em 1945, estava consagrado, sendo considerado o maior romancista brasileiro depois de Machado de Assis.

O estilo conciso, a linguagem sóbria, a técnica da interiorização e a análise psicológica caracterizam-no, principalmente em sua obra “Angústia”.

De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e psicologia das personagens. Quanto à linguagem, eis algumas características apontadas pela crítica: a poupança verbal; a preferência dada aos nomes de coisas e, em conseqüência, o pouco uso do adjetivo; a sintaxe clara, em oposição ao à-vontade gramatical dos modernistas…

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Vanguardas Europeias

O expressionismo nas artes plásticas

 

O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos, o sentimento do artista. Utilizando cores irreais, dá forma ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição.

Há predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais.

Geralmente, os quadros retratam seres humanos solitários e sofredores. Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros mostram personagens deformados. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.

 

Principais características:

–     Pesquisa no domínio psicológico.

–     Técnica violenta: o pincel, ou espátula, vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões. O pintor recusa o aprendizado técnico e pinta conforme as exigências de sua sensibilidade.

–     Preferência pelo patético, trágico e sombrio. O artista vive não apenas o drama do homem, mas também da sociedade.

(Por: Nádia Cristina. Disponível em http: // http://www.meuartigo.brasilescola.com/

Anita Malfati - O Japones

 

O Dadaísmo, fundado pelo poeta romeno Tristan Tzara, condena a ordem que produziu a Primeira Guerra e critica a civilização, a religião e a moral. As declarações dos dadaístas são confusas propositadamente, objetivando, pela brincaideira, ridicularizar a sociedade, a arte e a cultura tradicional. Uma das principais técnicas dadaístas consiste na valoração de elemento considerado antiartístico, elevando-o ao patamar de possível apreciação: é a técnica do ready-made.

 

O movimento Futurista, iniciado por Marinetti, repercutiu principalmente na Literatura; porém, ele se expandiu para outras artes e é possível perceber sua influência em pinturas e esculturas de muitos artistas.

O Futurismo tinha como princípios a velocidade, a exaltação a novas máquinas e tecnologias, o desejo de transmitir o dinamismo das cidades em crescimento.

Com o objetivo de expandir as idéias futuristas para outras artes, Marinetti colaborou com pintores como: Gino Severini, Luigi Russolo, Umberto Boccioni e Carlo Carrà.

No entanto, quando da sua primeira exposição, a pintura futurista foi criticada por sua timidez. Isso fez com que Severini entrasse em contato com os cubistas e voltasse com novas ideias, aproveitando o uso de formas geométricas e os planos de intersecção.

Os futuristas apresentaram um conceito de “linhas de força”, que se tornou uma característica marcante de suas obras.

SURREALISMO
O termo surrealismo, cunhado por André Breton com base na idéia de “estado de fantasia supernaturalista” de Guillaume Apollinaire, traz um sentido de afastamento da realidade comum que o movimento surrealista celebra desde o primeiro manifesto, de 1924. Nos termos de Breton, autor do manifesto, trata-se de “resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade”. A importância do mundo onírico, do irracional e do inconsciente, anunciada no texto, se relaciona diretamente ao uso livre que os artistas fazem da obra de Sigmund Freud e da psicanálise, permitindo-lhes explorar nas artes o imaginário e os impulsos ocultos da mente.

Fonte: Itaucultural

CUBISMO
Movimento artístico cuja origem remonta à Paris e a 1907, ano do célebre quadro de Pablo Picasso, Les Demoiselles d’Avignon. Considerado um divisor de águas na história da arte ocidental, o cubismo recusa a idéia de arte como imitação da natureza, afastando noções como perspectiva e modelagem, assim como qualquer tipo de efeito ilusório. “Não se imita aquilo que se quer criar”, diz Georges Braque, outro expoente do movimento. A realidade plástica anunciada nas composições de Braque leva o crítico Louis Vauxcelles a falar em realidade construída com “cubos”, no jornal Gil Blas, 1908, o que batiza a nova corrente. Cubos, volumes e planos geométricos entrecortados reconstroem formas que se apresentam, simultaneamente, em vários ângulos nas telas. O espaço do quadro – plano sobre o qual a realidade é recriada – rejeita distinções entre forma e fundo ou qualquer noção de profundidade. Nele, corpos, paisagens e, sobretudo, objetos como garrafas, instrumentos musicais e frutas têm sua estrutura cuidadosamente investigada nos trabalhos de Braque e Picasso, tão afinados em termos de projeto plástico que não é fácil distinguir as telas de um e de outro. Mesmo assim, nota-se uma ênfase de Braque nos elementos cromáticos e, de Picasso, em aspectos plásticos.

Fonte: Itaucultural

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ROMANTISMO

Características gerais

– INDIVIDUALISMO e SUBJETIVISMO

A atitude romântica é pessoal e íntima. O mundo é visto através da personalidade do artista. A obra romântica é uma representação de uma realidade interior. A consciência de si passa a ser o princípio de qualquer conhecimento. Não há obediência à harmonia de formas. O disforme também pode ser bonito. A concepção de beleza é relativa.

– PRIMADO DO SENTIMENTO, EM DETRIMENTO DA RAZÃO

Exaltam-se os sentido, e tudo o que é provocado pelo impulso é permitido. Supervalorizam-se o amor, a virgindade, o sentimento nostálgico, a melancolia, o sonho.

– PESSIMISMO

A impossibilidade de realizar o sonho absoluto do “eu” gera a melancolia, a angústia, a busca da solidão, a inquietude, o desespero, a frustração que leva às vezes ao suicídio, refletindo a evasão na morte, solução definitiva para o mal-do-século.

– ESCAPISMO

É o desejo romântico de fugir da realidade que o oprime para um mundo idealizado.

– ILOGISMO

O romântico oscila entre pólos opostos de alegria e tristeza, entusiasmo e melancolia. Não há lógica no comportamento romântico.

– CULTO AO FANTÁSTICO, SENSO DE MISTÉRIO

O mundo romântico abre-se com facilidade para o mistério, para o sobrenatural. Representa com freqüência o sonho, a imaginação. O que acontece na obra é impossível de acontecer na realidade, pois é fruto de pura fantasia: não carece de fundamentação lógica.

– HISTORICISMO

Evasão no tempo, remetendo à idade Média, berço das nações européias (Medievalismo), ou evasão no espaço, para regiões selvagens, de povos não contaminados pela civilização.

– CULTO À NATUREZA

O escritor romântico é fascinado pela natureza. A natureza é um lugar de refúgio, puro, não contaminado pela sociedade, lugar de inspiração, de proteção.

– RELIGIOSIDADE

A fé comanda o espírito romântico.

O ROMANTISMO NO BRASIL

As gerações de poetas românticos

 

É muito diferente a poesia que despontou no início do Romantismo e aquela que surgiu no fim do período. Com base nas diferenças, podemos agrupar os poetas românticos em gerações, ou seja, grupos de autores que se assemelham e têm algo comum entre si.

– A Primeira Geração: Nacionalismo

Os primeiros poetas românticos foram marcados pelo predomínio do nacionalismo, do patriotismo e da ênfase que deram à natureza brasileira em suas poesias. Nesse contexto emergiu o indianismo. O índio era visto como representante de um passado histórico brasileiro, visto como lenda e mito, à moda dos cavaleiros medievais enxergados pelos europeus. O índio apareceu como formador do povo brasileiro e, como tal, foi idealizado: era visto sempre de ângulo positivo; a ele foram atribuídas características de herói, como aconteceu ns obras de Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

Nesta primeira geração romântica, pode-se detectar também uma forte religiosidade, identificando o Romantismo com o Cristianismo, em oposição à tendência pagã dos neoclássicos.

– A Segunda Geração: Byronismo, amor e morte

 A segunda geração foi extremamente subjetivista, centrada na temática do amor e da morte, da dúvida e do tédio. O culto do “eu” estava presente em todos os poetas dessa geração, notado por exagerada autopiedade, depressão e masoquismo. Byronianos, tiveram na figura do poeta inglês Lord Byron uma espécie de ídolo: ele representava o poeta desgraçado, perseguido pela sociedade, condenado à solidão. Predominava a imagem do poeta incompreendido, em desespero e revoltado pelo simples fato de estar existindo. Uma outra marca do excesso dessa geração é o mal-do-século, espécie de estado de espírito que levava ao desejo da morte como único modo de o indivíduo libertar-se do “fardo de viver”.

– A Terceira Geração: Condoeiros, Abolicionistas

 A poesia político-social, muito marcada pelo “condor” francês Victor Hugo, predominou nesta geração, que prezava a palavra altissonante e libertária. Muito convictos de seu papel libertário, os poetas da terceira geração adotaram o condor como seu símbolo. O condor – ave que habita o alto da cordilheira dos Andes – representava o “alto vôo que a palavra pode alcançar em defesa da liberdade”. O fundo ideológico dos poetas condoreiros era o ideal abolicionista e o culto ao progresso. Fez-se uma poesia liberal, que renovava o tema amoroso, cultivava o erotismo sensual e denunciava a escravidão, abria-se contra o conservadorismo e o atraso moral do império, além de pregar contra as injustiças sociais.

Castro Alves – o poeta dos escravos – é o representante máximo da terceira geração romântica, seguido do poeta Sousândrade, cuja poesia ficou esquecida durante muito tempo, e de Tobias Barreto.

 

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Parnasianismo e Simbolismo

Diante das cobranças das minhas crianças do segundo ano, estão aqui posts sobre Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo. O tempo está curto então não tive tempo de fazer bonitinho, bem organizado e completo. Esse post aqui foi um ctrl C – ctrl V de um livro, mas muito bom livro e vai valer a leitura.

PARNASIANISMO

Torce, aprimora, alteia, lima

A frase; e, enfim,

No verso de ouro engasta a rima

Como um rubim.

(Olavo Bilac)

 As principais características do Parnasianismo são: a contenção lírica, o culto da forma e a valorização da arte pela arte.

A contenção lírica é provocada pela busca de uma impessoalidade objetiva, que faz com que a emoção ceda lugar à sobriedade. O temor à exteriorização dos acontecimentos, considerada vulgar, fez com que, em muitas composições, a pretendida sobriedade se transformasse em impassibilidade, que marmoriza o verso.

O culto à forma, ilustrado pelo fragmento do poema “Profissão de fé” de Olavo Bilac (1865-1918), manifesta-se na excessiva preocupação com a técnica. As composições de forma fixa, como o soneto, haviam sido abandonadas no Romantismo para permitir maiores recursos de expressividade ao poeta. Retornam altamente valorizadas no Parnasianismo e, com elas, o verso alexandrino de doze sílabas. O rigor da forma reduz as licenças poéticas, a arte torna-se artesanal, trabalho de ourives, conforme as referências de Bilac no fragmento destacado. Difícil se torna revestir de graça e simplicidade uma peça que a disciplina das formas fixas e o exaustivo controle das combinações sonoras tomou sem espontaneidade, embora revestida de elegância. O poeta, segundo a concepção do estilo, era um artista com pleno domínio da ideação e da execução do poema, e não um vate, como queriam os românticos, guiado pela inspiração provinda de outras esferas.

A arte pela arte, de que já falamos em relação ao Neoclassicismo, é o princípio de que a arte não tem outro objetivo senão a expressão da beleza. O artista exclui-se da sociedade, vivendo apenas para sua arte. A preocupação social desaparece da poesia.

 PARNASIANISMO

• Características do Parnasianismo: — rigor formal

— impessoalidade

— contenção lírica

— presença da cultura

clássica

— arte pela arte

 SIMBOLISMO

 Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

de luares, de neves, de neblinas!…

…………………………………………………………

Formas do Amor, constelarmente puras,

…………………………………………………………

(…) as mais azuis diafaneidades.

(Cruz e Sousa)

 O Simbolismo floresceu, na Europa, nos anos 80 e 90 do século passado. Na mesma época em que os pintores impressionistas iniciavam a diluição dos contornos dos objetos nos jogos de luz, os poetas simbolistas renunciavam à tradução da forma fixa do objeto em favor do ritmo do devir, da fugacidade do momento. Buscavam a expressão de algo que escapa a uma forma definida e não é abordável por um caminho direto.

Pintura Impressionista

 Rimbaud (1854-1891), vendo na palavra um fim em si, concebe-a como símbolo de experiências sobrenaturais, usado não pelo propósito comum de troca, o que supõe a atribuição à palavra de um valor definido, mas atribuindo-lhe o poder de evocar associações. Foi esse expoente do Simbolismo francês quem disse:

 o poeta é um vidente por um longo, imenso e irracional desregramento de todos os sentidos.

 A essência dessa concepção é a crença em um mundo ideal, na acepção platônica, que só é realizável através da beleza. Antes de 1890, o Realismo já entrara em decadência.

Contraposto a ele, surge o gosto pela religiosidade e pelo incompreensível. Pela aproximação à concepção platônica de que o mundo sensível não é o real, a coisa em si não será, para o simbolista, o elemento principal a ser expresso, mas sim sua essência. Esta, porém, poderá ser apenas sugerida, e o perfeito uso dessa sugestão é o que constituirá o símbolo.

A palavra, antes presa a uma sintaxe ordenada — reflexo de uma concepção do mundo como uma estrutura lógica —, com a opção do simbolista pelo indefinido e pelo misterioso, liberta-se da ordem frasal e carrega-se de sugestividade irracional. Ela passa, então, a valer pela sua sonoridade, pois atribui-se a sons e ritmos a propriedade de estimular a imaginação para que a Idéia seja apreendida.

 Em síntese, o poeta simbolista caracteriza-se pela concepção mística do mundo; pelo interesse no particular e no individual, em lugar do geral que interessava aos realistas e parnasianos; pelo escapismo em que se aliena da sociedade contemporânea; pelo conhecimento ilógico e intuitivo; pela valorização da arte pela arte; pela utilização da via associativa.

Pintura Simbolista

 SIMBOLISMO

• Fator influente: — crise da concepção positivista da vida

• Características: — concepção mística do mundo

— interesse pelo indefinido e pelo mistério

— interesse pelo particular

— alienação do social

— flexibilidade formal

— conhecimento ilógico e intuitivo

— arte pela arte

 * Texto retirado do livro:

 PERÍODOS LITERARIOS

Lígia Cademartori

Série Princípios

Editora Ática

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Realismo e Naturalismo

Contexto Histórico

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial, iniciada no Século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo o avanço científico leva a novas descobertas nos campos da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexo industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial, mas pelo contrário, é explorada e sujeita a condições sub-humanas de trabalho.

 Esta nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas.

Numa seqüência cronológica temos:

 O Positivismo de Auguste Comte (1798 – 1857) – teoria científica que defende posturas exclusivamente materialistas e limita o conhecimento das coisas apenas quando estas podem ser provadas cientificamente. A realidade é apenas aquilo que vemos, pegamos e podemos explicar.

 O Socialismo Científico de Karl Marx (1818 – 1883) e Friederich Engels (1820 – 1895) – teoria científica que estimula as lutas de classe e a organização política do proletariado. É uma resposta da exploração do operário nas indústrias e nos grandes centros urbanos. Nessa teoria, Marx e Engels mostram o quanto o aspecto social está vinculado ao processo econômico e político.

 O Evolucionismo de Charles Darwin (1809 – 1882) – teoria científica que mostra o processo de evolução das espécies a partir da seleção natural, ou seja, diz que apenas “os fortes”, aqueles que têm condições de adaptar as adversidades, têm condição de sobreviver. Darwim, em sua obra Origem da Espécies (1859), questiona as teorias regiliosas sobre a criação, pois o homem não seria fruto do divino, mas da própria evolução das espécies.

 O Determinismo de Hippolyte Taine (1828 – 1893) – teoria que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça, e o momento histórico.

Características do Realismo: 

  1. Concepção materialista da realidade: o homem, a natureza e o universo estão intimamente associados num todo orgânico, sujeitos às mesmas leis naturais.
  2. A realidade deve ser captada através da observação, tal qual o cientista no laboratório.
  3. Os fatores psicológicos e sociais estão sujeitos às leis naturais; nada têm de espirituais ou transcendentais.
  4. Preocupação com a verdade.
  5. Preocupação em ser objetivo no trato dos personagens.
  6. Retrata a vida contemporânea dos personagens, pois só a vida do momento pode ser objeto de análise e observação, ao contrário dos românticos que amavam o passado.
  7. A narrativa realista move-se lentamente e é cheia de pormenores, aparentemente inúteis, mas usados propositalmente para retratar de modo mais fiel a realidade.
  8. Não existe o livre-arbítrio. Tudo são forças biológicas, atávicas e sociais.
  9. Clareza e harmonia; correção gramatical; retrato fiel dos personagens; linguagem próxima da realidade.

“Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. hoje o romance estuda-o na sua realidade social. Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a priori; hoje analisa-se a posteriori, por processos tão exatos como os da própria fisiologia. Desde que se descobriu que a lei que rege os corpos brutos é a mesma que rege os seres vivos, que a constituição intrínseca duma pedra obedeceu às mesmas leis que a constituição do espírito duma donzela, que há no mundo uma fenomenalidade única, que a lei que rege os movimentos dos mundos não difere da lei que rege as paixões humanas, o romance, em lugar de imaginar, tinha simplesmente de observar. (…) A arte tornou-se o estudo dos fenômenos vivos e não a idealização das imaginações inatas…”

 Eça de Queirós. Idealismo e realismo. In: Cartas inéditas de Fradique Mendes. Apud: SIMÕES, J. G.: Eça de Quirós – trechos escolhidos. Rio de Janeiro, Agir, 1968.

Romantismo – primeira metade do século XIX Realismo – segunda metade do século XIX
– Sentimentalismo doentio – Observação impessoal
– Olhos no passado – Olhos no presente
– Supremacia da imaginação – Supremacia da verdade física
– Espiritualismo, religiosidade – Materialismo, espírito científico
– Subjetivismo – Objetivismo
– Temas nacionais e regionais – Temas cosmopolitas
– Fantasia e imaginação criadora – Documentação da realidade
– Arrebatamento de idéias – Análise, reflexão, observação
– Monarquia – República
– Heróis extraordinários – Gente comum, vulgar
– O mundo é como eu vejo – O mundo é como ele é

 REALISMO X NATURALISMO

A aproximação dos termos Realismo e Naturalismo é muito comum nos livros de história da literatura. Em muitos casos eles são usados até como sinônimos. Isso ocorre porque existem muitos pontos em comum entre o romance Realista e o Naturalista. Como exemplo pode-se citar o ataque à burguesia ao clero e à monarquia.

As proximidades dessas estéticas são tantas, que, muitas vezes, é difícil classificar um autor e, até mesmo uma obra, como pertencente a essa e àquela corrente literária. Um bom exemplo é o escritor português Eça de Queiros, considerado por muitos críticos literários como sendo Realista e, por outros, como Naturalista.

Apesar de toda essa proximidade, é possível encontrar algumas diferenças entre a prosa Realista e a Naturalista. O Naturalismo é fortemente influenciado pela teoria evolucionista de Charles Darwin. Por isso, vê o homem sempre pelo lado patológico. Sob essa ótica o Homem se comporta como um animal, ou seja, não usa a razão, pois os seus instintos naturais são mais fortes. Ainda sob esse ponto de vista, o comportamento humano nada mais é do que o reflexo do meio em que o homem vive (Esse meio é composto por educação, pressão social, o próprio meio ambiente etc.). Esse homem, que ainda é subjugado( dominado moralmente, reprimido, amansado domesticado) pelo fator hereditariedade física, está preso a um destino que ele não consegue mudar. Um bom exemplo disso é o personagem “Pombinha”, da obra “O Cortiço”, de Aluíso de Azevedo. No início do romance ela era uma jovem cheia de virtudes e destinada ao casamento. No entanto, devido às influências do seu meio, cedeu ao homossexualismo e à prostituição.

O Naturalismo aprofunda a visão científica do Realismo, pois acredita no princípio de que somente as leis da ciência são válidas, renegando assim, qualquer tipo de visão espiritualista. Dessa forma, acredita que o comportamento do homem pode ser explicado cientificamente. Então, o escritor naturalista observa o seu personagem muito de perto, buscando conhecer as causas desse comportamento para chegar ao conhecimento objetivo dos fatos e das situações.

 A temática também é um dos pontos em que há diferenças significativas entre o Naturalismo e o Realismo. Os autores Naturalistas, sempre por meio de uma análise rigorosa do meio social e de aspectos patológicos, trazem para sua obra temas como a miséria, a criminalidade e os problemas relacionados ao sexo como o adultério e o homossexualismo, tanto feminino como masculino.

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