Realismo e Naturalismo

Contexto Histórico

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial, iniciada no Século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo o avanço científico leva a novas descobertas nos campos da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexo industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial, mas pelo contrário, é explorada e sujeita a condições sub-humanas de trabalho.

 Esta nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas.

Numa seqüência cronológica temos:

 O Positivismo de Auguste Comte (1798 – 1857) – teoria científica que defende posturas exclusivamente materialistas e limita o conhecimento das coisas apenas quando estas podem ser provadas cientificamente. A realidade é apenas aquilo que vemos, pegamos e podemos explicar.

 O Socialismo Científico de Karl Marx (1818 – 1883) e Friederich Engels (1820 – 1895) – teoria científica que estimula as lutas de classe e a organização política do proletariado. É uma resposta da exploração do operário nas indústrias e nos grandes centros urbanos. Nessa teoria, Marx e Engels mostram o quanto o aspecto social está vinculado ao processo econômico e político.

 O Evolucionismo de Charles Darwin (1809 – 1882) – teoria científica que mostra o processo de evolução das espécies a partir da seleção natural, ou seja, diz que apenas “os fortes”, aqueles que têm condições de adaptar as adversidades, têm condição de sobreviver. Darwim, em sua obra Origem da Espécies (1859), questiona as teorias regiliosas sobre a criação, pois o homem não seria fruto do divino, mas da própria evolução das espécies.

 O Determinismo de Hippolyte Taine (1828 – 1893) – teoria que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça, e o momento histórico.

Características do Realismo: 

  1. Concepção materialista da realidade: o homem, a natureza e o universo estão intimamente associados num todo orgânico, sujeitos às mesmas leis naturais.
  2. A realidade deve ser captada através da observação, tal qual o cientista no laboratório.
  3. Os fatores psicológicos e sociais estão sujeitos às leis naturais; nada têm de espirituais ou transcendentais.
  4. Preocupação com a verdade.
  5. Preocupação em ser objetivo no trato dos personagens.
  6. Retrata a vida contemporânea dos personagens, pois só a vida do momento pode ser objeto de análise e observação, ao contrário dos românticos que amavam o passado.
  7. A narrativa realista move-se lentamente e é cheia de pormenores, aparentemente inúteis, mas usados propositalmente para retratar de modo mais fiel a realidade.
  8. Não existe o livre-arbítrio. Tudo são forças biológicas, atávicas e sociais.
  9. Clareza e harmonia; correção gramatical; retrato fiel dos personagens; linguagem próxima da realidade.

“Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. hoje o romance estuda-o na sua realidade social. Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a priori; hoje analisa-se a posteriori, por processos tão exatos como os da própria fisiologia. Desde que se descobriu que a lei que rege os corpos brutos é a mesma que rege os seres vivos, que a constituição intrínseca duma pedra obedeceu às mesmas leis que a constituição do espírito duma donzela, que há no mundo uma fenomenalidade única, que a lei que rege os movimentos dos mundos não difere da lei que rege as paixões humanas, o romance, em lugar de imaginar, tinha simplesmente de observar. (…) A arte tornou-se o estudo dos fenômenos vivos e não a idealização das imaginações inatas…”

 Eça de Queirós. Idealismo e realismo. In: Cartas inéditas de Fradique Mendes. Apud: SIMÕES, J. G.: Eça de Quirós – trechos escolhidos. Rio de Janeiro, Agir, 1968.

Romantismo – primeira metade do século XIX Realismo – segunda metade do século XIX
– Sentimentalismo doentio – Observação impessoal
– Olhos no passado – Olhos no presente
– Supremacia da imaginação – Supremacia da verdade física
– Espiritualismo, religiosidade – Materialismo, espírito científico
– Subjetivismo – Objetivismo
– Temas nacionais e regionais – Temas cosmopolitas
– Fantasia e imaginação criadora – Documentação da realidade
– Arrebatamento de idéias – Análise, reflexão, observação
– Monarquia – República
– Heróis extraordinários – Gente comum, vulgar
– O mundo é como eu vejo – O mundo é como ele é

 REALISMO X NATURALISMO

A aproximação dos termos Realismo e Naturalismo é muito comum nos livros de história da literatura. Em muitos casos eles são usados até como sinônimos. Isso ocorre porque existem muitos pontos em comum entre o romance Realista e o Naturalista. Como exemplo pode-se citar o ataque à burguesia ao clero e à monarquia.

As proximidades dessas estéticas são tantas, que, muitas vezes, é difícil classificar um autor e, até mesmo uma obra, como pertencente a essa e àquela corrente literária. Um bom exemplo é o escritor português Eça de Queiros, considerado por muitos críticos literários como sendo Realista e, por outros, como Naturalista.

Apesar de toda essa proximidade, é possível encontrar algumas diferenças entre a prosa Realista e a Naturalista. O Naturalismo é fortemente influenciado pela teoria evolucionista de Charles Darwin. Por isso, vê o homem sempre pelo lado patológico. Sob essa ótica o Homem se comporta como um animal, ou seja, não usa a razão, pois os seus instintos naturais são mais fortes. Ainda sob esse ponto de vista, o comportamento humano nada mais é do que o reflexo do meio em que o homem vive (Esse meio é composto por educação, pressão social, o próprio meio ambiente etc.). Esse homem, que ainda é subjugado( dominado moralmente, reprimido, amansado domesticado) pelo fator hereditariedade física, está preso a um destino que ele não consegue mudar. Um bom exemplo disso é o personagem “Pombinha”, da obra “O Cortiço”, de Aluíso de Azevedo. No início do romance ela era uma jovem cheia de virtudes e destinada ao casamento. No entanto, devido às influências do seu meio, cedeu ao homossexualismo e à prostituição.

O Naturalismo aprofunda a visão científica do Realismo, pois acredita no princípio de que somente as leis da ciência são válidas, renegando assim, qualquer tipo de visão espiritualista. Dessa forma, acredita que o comportamento do homem pode ser explicado cientificamente. Então, o escritor naturalista observa o seu personagem muito de perto, buscando conhecer as causas desse comportamento para chegar ao conhecimento objetivo dos fatos e das situações.

 A temática também é um dos pontos em que há diferenças significativas entre o Naturalismo e o Realismo. Os autores Naturalistas, sempre por meio de uma análise rigorosa do meio social e de aspectos patológicos, trazem para sua obra temas como a miséria, a criminalidade e os problemas relacionados ao sexo como o adultério e o homossexualismo, tanto feminino como masculino.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Barroco

BARROCO

Surgimento: Europa, meados do século XVI – Brasil, início do século XVII. (Lembrar que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio da sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas Gerais.)

Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

Características:

1) Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da harmonia social aristocrática-burguesa através das guerras religiosas. Os jesuítas que surgem, neste período, combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua implacável ideologia teocêntrica.

2) Conflito entre corpo e alma. Dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor religioso, o homem barroco oscila entre:

· a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado;
· os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.

3) Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho, viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da passagem do tempo.

4) Linguagem ornamental, complexa, entendida como jogo verbal, cheia de antíteses, inversões, metáforas, alegorias, paradoxos, ausência de clareza. É um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do homem barroco.

Estilo Complicado e Ornamental

Se a harmonia formal dos clássicos correspondia ao equilíbrio interior e à sensação de segurança histórico-social, a forma conflituosa e exagerada dos barrocos traduz um estado de mal-estar causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã, entre a lascívia dos novos tempos e a tradição medieval. Traduz também o gosto pela agudeza do pensamento, pela artificialidade da linguagem e pelo desejo de causar assombro no leitor.

A audácia verbal não tem limites: comparações inesperadas, antíteses, paradoxos, hipérboles, inversões nas frases, palavras raras, estabelecendo um estilo retorcido, contraditório, por vezes brilhante, por vezes incompreensível e de mau gosto. Vejamos alguns exemplos:

  • Metáfora: Purpúreas rosas sobre Galatea / A aurora entre lírios cândidos desfolha. (Góngora)
    (A luz rosada do amanhecer banha o corpo branco da jovem Galatea)
  • Antítese: A aurora ontem me deu berço, a noite ataúde me deu. (Góngora)
  • Paradoxo: Amor é fogo que arde sem se ver; / é ferida que dói e não se sente; / é um contentamento descontente; / é dor que desatina sem doer. (Camões)
  • Jogo verbal: O todo sem a parte não é todo; / a parte sem o todo não é parte; / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte sendo todo. (Gregório de Matos)

Autores barrocos:

1) Gregório de Matos (Boca do Inferno)

Poesia religiosa – Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus, implorando perdão para os pecados cometidos.

 

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja* um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Poesia amorosa – Tem uma dimensão elevada , muitas vezes associada à noção de brevidade da existência, e uma dimensão obscena, onde a explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da época.

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente*
Em quem, senão em vós, se uniformara?

Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama florescente?
A quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio*, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo que tão bela, e tão galharda,
Posto que* os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

 

A MARIA DOS POVOS, SUA FUTURA ESPOSA

 

Discreta, e formosíssima Maria,

Enquanto estamos vendo a qualquer hora,

Em tuas faces a rosada Aurora,

Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:

 

Enquanto com gentil descortesia

O ar, que fresco Adônis te namora,

Te espalha a rica trança voadora,

Quando vem passear-te pela fria:

 

Goza, goza da flor da mocidade,

Que o tempo trata a toda ligeireza,

E imprime em toda flor sua pisada.

 

Oh não aguardes, que a madura idade,

Te converta essa flor, essa beleza,

Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

 

Poesia satírica – Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial baiana: senhores de engenho, clero, juízes, advogados, militares, fidalgos, escravos, pobres livres, índios, mulatos, mamelucos, etc. Com seu olhar ressentido de senhor decadente, Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção, negociata, oportunismo, mentira, desonra, imoralidade, completa inversão de valores. A poesia satírica, portanto, para ele é vingança contra o mundo.

A cada canto um grande conselheiro,
Quer nos governar cabana e vinha, *
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para a levar à Praça e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia.*

Estupendas usuras* nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Cabana e vinha: no sentido de negócios particulares.
Picardia: esperteza ou desconsideração.
Usuras: juros ou lucros exagerados.

2) Padre Antônio Vieira

Os Sermões

· Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica para convencer os fiéis de sua mensagem, mesmo quando trata de temas cotidianos.

· Ataca os vícios (corrupção, violência, arrogância, etc.) e defende as virtudes cristãs (religiosidade, caridade, modéstia, etc.)

· Combate os hereges, os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à Igreja.

· Defende abertamente os índios. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora tenta justificar a escravidão, ora condena veementemente seus malefícios éticos e sociais.

· Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. E julga (de forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil.

· Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI.

· Apresenta uma linguagem de tendência conceptista, de notável elaboração, grande riqueza de idéias e imagens espetaculares.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Tendências Contemporâneas

O CONCRETISMO

LUXO              LUXO     LUXO           LUXO    LUXOLUXOLUXO

LUXO              LUXO          LUXO LUXO         LUXOLUXOLUXO

LUXO              LUXO                LUXO              LUXO             LUXO

LUXO              LUXO                LUXO              LUXO            LUXO

LUXOLUXO    LUXO          LUXOLUXO      LUXOLUXOLUXO

LUXOLUXO    LUXO    LUXO            LUXO    LUXOLUXOLUXO

(Décio Pgnatari)

Tem como marco inicial a publicação da revista “Noigandes” e como principais representantes os escritores paulistas Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos.

Características:

– Propunha incorporar, à poesia, os signos da sociedade moderna, aliando a observação dos aspectos formais e a observação crítica da realidade.

– Determina uma ruptura radical com o lirismo: a poesia intimista deveria ser substituída pela concretude das palavras, utilizadas no seu aspecto verbi-voco-visual (semântico, sonoro e visual).

– Combate a exclusividade do verso.

–  “Os elementos de composição característicos da poesia concreta são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes.“

– “Talvez se pudesse concluir que um poemaconcreto seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras.“

– “A poesia concreta significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial, e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade.“

Sabemos que a Poesia Concreta adota, entre outros procedimentos, a valorização do poema no espaço branco da página. Com apoio das artes gráficas, os textos ganham em expressividade visual.

POESIA PRÁXIS

O poeta Mário Chamie “opõe à palavra-coisa, do concretismo, a palavra-energia; não considera o poema como um objeto estático e fechado e sim como um produto dinâmico, passível de transformação pela influência ou manipulação do leitor”, fundando, assim, o movimento da Poesia Práxis.

Procura denunciar a desumanidade da vida moderna, do capitalismo, da exploração do operariado e do campesinato e outras questões adjacentes.

Apesar de possuir adeptos, pouco sobrevive ao momento e às razões que a motivaram.

AGIOTAGEM

um
dois
três
o juro:o prazo
o pôr / o cento / o mês / o ágio

p o r c e n t a g i o.

dez
cem
mil
o lucro:o dízimo
o ágio / a mora / a monta em péssimo

e m p r é s t i m o.

muito
nada
tudo
a quebra:a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota

h a j a   n o t a
agiota.

Mário Chamie

 

POESIA MARGINAL

O clima de experimentação da Tropicália influenciou, na década de 1970, a Poesia Marginal. Era marginal o modo como os poetas faziam circular sua produção: eles abandonaram os meios tradicionais (editoras, livros, livrarias) e levaram a poesia às praças, às ruas, às universidades. Os textos circulavam em cópias mimeografadas, distribuídos de mão em mão, jogados de edifícios.

A Poesia Marginal adotou o humor, tentando mostrar caminhos diferentes para a crise que, além de imobilizar, calava a sociedade brasileira.

Poema para ser transfigurado

quem somos

o que queremos

logo logo saberemos

por enquanto

sabemos

que um gesto

uma palavra

pode transformar o mundo

qual deles

qual delas

saberemos já já

esta a missão do artista:

experimentar

Chacal

Pegando carona na Poesia Marginal, mas desenvolvendo um caminho mais independente, surge a poesia plural de Paulo Leminski.

Tendo se interessado pela obra dos concretistas, Leminski explorou os trocadilhos, flertou com o processo de “palavra puxa palavra” e enveredou pela composição de haikais.

Haikai

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Haicai é uma forma poética oriental formada por 17 sílabas distribuídas em versos de 5 – 7 sílabas métricas. Também deve conter um termo referente a uma das estações do ano

Não Discuto

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

Carrego o peso da lua

Carrego o peso da lua,
Três paixões mal curadas,
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.Viver de noite
Me fez senhor do fogo.
A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não.
Esse, eu mesmo carrego.

Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

Paulo Leminsk

PROSA CONTEMPORÂNEA

Nas últimas décadas do século XX, a cultura brasileira vivenciou um período de acentuado desenvolvimento tecnológico e industrial; entretanto, neste período, ocorreram diversas crises no campo político e social.

As manifestações literárias desse período desenvolvem-se a partir de duas linhas:

a) De um lado, a permanência de alguns autores já consagrados como João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade, acompanhados de novos talentos como Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan, ligados às linhas tradicionais da literatura brasileira: regionalismo, intimismo, urbanismo, introspecção psicológica.

b) De outro lado, a ruptura com valores tradicionais que se dispersam através de propostas alternativas ou experimentais, buscando novos caminhos ou exprimindo de maneiras pouco convencionais as tensões de um país em repressão. Nessa vertente nascem o Concretismo, a Poesia Práxis e os Romances Fantásticos.

A prosa fica marcada pela quebra dos limites entre os gêneros literários: romance e conto, conto e crônica, crônica e notícias; desdobram-se e acabam incorporando técnicas e linguagens antes fora dos seus domínios. Dessa forma, aparecem romances com ares de reportagem, biografias com lances romanescos, contos parecidos com poemas em prosa ou com crônicas, etc.

Romance Regionalista

Seguindo um caminho tradicional, iniciado desde o Romantismo, uma safra de bons escritores continua a retratar o homem no ambiente das zonas rurais, com seus problemas geográficos e sociais.

Ex: Mário Palmério (Vila dos Confins); José Cândido e Carvalho (O Coronel e o Lobisomem); Antônio Callado (Quarup).

Romance Intimista

Na mesma linha de Clarice Lispector, caracterizando-se pela sondagem interior e pela indagação dos problemas humanos, vários autores fazem uso da investigação psicológica dos personagens, desnudando seus traumas, medos, anseios, problemas existenciais, etc.

Ex: Lygia Fagundes Telles (As meninas); Fernando Sabino (O Encontro Marcado); Chico Buarque (Estorvo); Lya Luft (Reunião em Família); entre outros.

Romance Urbano – Social

Retrata a vida nos grandes centros urbanos com seus problemas específicos: a burguesia e o proletariado em constante luta pela ascensão social, violência urbana, solidão e marginalização.

Romance Histórico

Une narrativa policial, fatos políticos e abordagem histórica.

Ex: Rubem Fonseca (Agosto); Ana Miranda (Boca do Inferno); Fernando Morais (Olga).

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

A Arte no Neoclassicismo – Arcadismo

Olá, pessoas! Tudo bem?

Passei um tempinho sem postar, mas, depois de ser pressionado, postarei sobre o Neoclassicismo, a arte da época do Iluminismo.

Após à Reforma Protestante e à consequente Contra-Reforma, período no qual prevalesceu a fé e, a emoção predominou nas artes por um tempo: era a época do Barroco, do qual já falamos aqui.

No entanto, enquanto a igreja procurava reaver seu antigo poder, mudanças ocorriam no campo das ciências e da filosofia que mudariam os rumos da História e das Artes, consequentemente. E um dos fatos marcantes para instaurar novamente o reino da razão foi esse:

Isso mesmo! Quando, em 1687, Isaac Newton  lança sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica e nela descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton,  que fundamentaram a mecânica clássica, ele cria as bases do que viria a ser o Iluminismo.

Iluminismo é nome dado a um conjunto das tendências ideológicas, filosóficas e científicas desenvolvidas no século XVIII, como consequência da recuperação de um espírito experimental, racional, que buscava o saber enciclopédico.

Os iluministas acreditavam que apenas através da razão e da filosofia se chegava à verdade. Essa crença está bem representada no frontispício da Encíclopédia (cuja capa vocês podem ver acima):

Nessa figura, no centro dela, temos a verdade, sob intensa luz. Duas outras figuras à direita, a razão e a filosofia, estão a retirar o manto sobre a verdade. Esse racionalismo também chegou ao campo das Artes – da música, da pintura, da escultura, da arquitetura e da literatura.

Na literatura, é a época do Arcadismo, ou Neoclassicismo, escola que prega um retorno aos ideais e valores greco-romanos, bem como do classicistas, como Camões.

Na pintura, muitas das características da literatura árcade que estudamos em sala vão estar presentes. Lembremos as principais características:

Características

– Busca de simplicidade, racionalismo, contenção dos sentimentos.
– Equilíbrio, valorização de uma vida simples (aurea mediocritas) e harmonia.
– Retomada dos valores clássicos, mitologia, paganismo (Zéfiro, Apolo, Minerva, etc.).
– Pastoralismo, bucolismo (fugere urbem, locus amoenus).
– Natureza convencional (cenário).
– Adjetivos muito empregados, combinando com “local ameno”: manso, suave, doce, terno, calmo, etc.
– Carpiem diem, gozar o momento presente sem sentimento de pecado. 

Agora, vejamos como essas características são exploradas na pintura e na escultura:

Na tela acima, facilmente percebemos o pastoralismo e o bucolismo – ideal de vida simples, junto à natureza (locus amoenus).

Nesta escultura, percebemos tanto a herança de Michelangelo como o retorno aos temas greco-romanos, pois a obra retrata Eros e Psiquê. A escultura também reflete o gosto neoclássico pela simplicidade. A escolha do mármore branco contrasta com a preferência pelo ouro e pelas cores fortes usadas na obras do Barroco.

Particulamente, eu prefiro as esculturas Neoclássicas às pinturas. Para encerrar deixarei vocês ouvindo uma sinfonia de um dos grandes gênios do século das luzes – Mozart:

Ah, recomendo que assistam ao filme AMADEUS, filme muito bom sobre a vida desse grande músico.

Até!

Steller de Paula

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Arte Contemporânea – Vik Muniz

Hoje, no intervalo da manhã para a tarde do Fórum sobre o Enem, fui visitar a exposição da obra do artista plástico e fotógrafo Vik Muniz. Fazia tempo queria ir, mas a preguiça não tinha deixado. Ainda bem que as circunstâncias hoje fizeram que eu fosse: ele é muito bom! Meus alunos devem adivinhar a palavra que me veio à mente vendo as obras de Vik: genial!

Suas obras são surpreendentes, são belas, são vivas, nos fazem refletir. É um pequeno passeio reflexivo pela história da arte. Algumas de suas obras são reproduções surpreendentes de obras do Renascimento, do Barroco, do Romantismo, se apropriando das liberdades trazidas pelas vanguardas do início do século passado e representando exemplarmente as tendências contemporâneas de usar para a confecção das obras as mais variadas materias-primas, como o açucar, o chocolate, diamantes, arames, molhos, lixo, sucata e até a poeira! Não falta, ainda, referências ao pop arte de Andy Warhol. É uma mistura que rende uma obra original e criativa.

Vamos a alguns exemplos:

* Usando manteiga de amendoim e geleia, Vik reproduz a famosa Monalisa. A ideia teve como inspiração o preceito de que a cópia de uma cópia é sempre um original, de Warhol.

* Genial essa reprodução da tela barroca de Caravaggio, Narciso, usando sucata! É muito legal o efeito obtido: de longe o espectador reconhece de imediato a tela de Caravaggio, de perto se diverte reconhecendo os materiais utilizados na composição da obra; e os dois olhares se complementam para que nos deparemos diante de uma obra bela, criativa e que faz uma justa homenagem a um mestre da pintura.

* Nesta obra, como vocês devem ter percebido, reproduz um mapa mundi. O interessante é que a obra inteira foi “montada” com sucata de computadores e o tamanho da obra original é gigante (isto se torna perceptível ao observamos a fotografia bem de perto).

Eu gostaria de colocar várias outras fotografias aqui, mas por hoje está bom. Além disso, a exposição está aqui pertinho para quem mora em Fortaleza – e de graça! – em mais uma louvável iniciativa da Unifor. Então, quem mora por aqui não pode perder. Quem não mora, é torce para que a exposição, que já passou pelos EUA, Canadá e México e, aqui no Brasil, pelo MAM, do Rio de Janeiro, pelo MASP, em São Paulo, pelo MIP, em Belo Horizonte, e pelo MON, em Curitiba, chegue até você.

Vale ressaltar que Vik Muniz é o único brasileiro vivo a figurar na publicação 501 Great Artists of All Times. O cara merece a visita.

Steller de Paula

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Barroco

O BARROCO

O barroco surgiu na Itália após o Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, que reuniu a cúpula da Igreja Católica para reagir à Reforma Protestante. Assim, é uma estética intimamente ligada à Contra-Reforma e, seja na pintura, na escultura, na arquitetura, na música ou na literatura, há o predomínio da emoção sob a razão. Nosso foco aqui será a pintura, a escultura e a arquitetura, três formas de arte que muitas vezes andaram juntas para que o objetivo da Igreja Católica fosse atingido: emocionar o espectador diante da dramaticidade das telas e das esculturas, da riqueza dos ornamentos, fazê-lo se sentir pequeno diante da imponência da arquitetura das igrejas, para que ele mais facilmente se entregasse à fé. Uma igreja barroca funcionava como um grande teatro cuja função era comover o espectador pelo estímulo sensorial e pelo apelo afetivo.

Vamos usar como exemplo para ilustrar a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, cujo projeto arquitetônico e os ornamentos são de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e as pinturas de Manuel da Costa Ataíde.

Observem a Nave da Igreja:

Reparem na arquitetura da igreja, nos ornamentos, na riqueza de detalhes. Entrando na igreja é essa a visão lateral que temos. Olhando para cima nos deparamos com essa imagem:

No detalhe:

A pintura no teto da igreja é uma das obras mais importantes a arte colonial brasileira. O tema é um tema comum na história das artes: a ascensão da Virgem Maria. Porém a riqueza de detalhes e a beleza da pintura faz com que o observador tenha a impressão de que não está sob um teto, mas, sim, sob o céu, presenciando o exato momento de ascensão da Virgem. Obsevem que mestre Athaide ainda fez uso de uma certa lincença poética, ao pintar os personagens da cena como mulatos, e não como brancos, como era o comum.

Diante disso tudo, imagine o homem inserido no barroco, no contexto da Contra-Reforma, dividido entre a constatação de que a vida é efêmera, de que nada escapa à força do tempo, de um desejo de viver o momento presente e o medo de pecar e ser condenado, de condenar sua alma imortal; imagine esse homem entrando numa igreja dessa, iluminada por velas, com sobras projetadas nas parades, paredes de uma arquitetura rebuscada, de colunas retorcidas, ornamentadas com ouro, cobertas de telas e esculturas carregadas de dramaticidade, mostrando o sofrimento de Cristo, com o teto pintado desta forma, a música barroca carregada de emoção tocando e, depois, no púlpito, o pastor pregando através de sermões conceptistas.

Imaginou? Era praticamente uma lavagem cerebral! Difícil não se comover e não se deixar levar pela emoção, caminho mais rápido para alcançar a fé.

Ah, eu falei um pouco sobre ornamentos, não foi? Então deixa eu ilustrar como os ornamentos atuam nesse grande teatro:

Esse é o Painel da Pintura de Frei Ricardo do Pilar, que fica no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Olhem a pintura:

Pintura típica do Barroco, apresentando grande carga de dramaticidade e extremo realismo, reforçados pelo jogo entre luz e sombra.

E então? Que acharam do Barroco? Eu, particulamente, adoro.

Steller de Paula

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Os Gêneros Literários

OS GÊNEROS LITERÁRIOS

 A primeira tentativa de organizar a produção literária de acordo com as características das obras foi feita por Aristóteles, na Antiguidade Clássica.

A divisão aristotélica de gêneros baseia-se em dois critérios: o conteúdo e a forma assumida pela narração. Quanto à forma, identificava como dramático o texto no qual não havia um narrador, apenas a atuação das personagens, e como épico o texto no qual o poeta narrador fala diretamente ou por meio de uma personagem.

Posteriormente, durante o Renascimento, a grande valorização da poesia lírica consolidou o estabelecendo de três categorias básicas ou gêneros literários:

 –          O ÉPICO

 –          O LÍRICO

 –          O DRAMÁTICO

Vocês lembram desses filmes?

O que o Frodo, do Senhor do Anéis, o Harry e o Neo, de Matrix, têm em comum? São heróis! Mas mais do que isso: são heróis que representam seu povo, sua cultura (Frodo representa os Hobbits, Harry representa os bruxos, Neo representa a raça humana) São heróis que representam o que há de melhor em cada povo, em cada cultura representada. Os três são predestinados. Não podem fugir à missão que lhes é confiada. Podem fracassar ou ter sucesso, mas nunca desistir.

Pois bem, essas característica que os três apresentam em comum são características herdadas dos heróis épicos!

* Gênero Épico

Conceitos  – Epopéia: composição literária de natureza narrativa, apresentando acontecimentos em que se misturam fatos reais, lendas e mitos, heróis e deuses, sob uma atmosfera do maravilhoso. 

Lendas: narrações fantasiosas de cunho popular. 

Mitos: relatos sob forma às vezes alegórica, referentes a uma ordem do mundo anterior a atual, nos quais se procura representar e explicar um fenômeno ou uma lei orgânica da natureza das coisas.

Etimologia Epopéia – epos (canto, narrativa) + poieo (fazer)

Elementos orgânicos 1 – ação: desenvolvimento do assunto. 2 – personagens: agentes/heróis da ação. 3 – maravilhoso: intervenção do sobrenatural, a vivência dos deuses, a explicação do inexplicável; pode ser pagão ou cristão.

  Estrutura

A epopéia clássica possui a seguinte estrutura:

Proposição: o poeta expõe o assunto que vai cantar.

Invocação: o poeta pede o auxílio das musas para a sua empreitada.

Dedicatória: o poeta dedica o poema.

Narração: desenvolvimento da ação. 

Epílogo: o poeta considera a ação exposta, tira as suas conclusões e as declara.

O poeta grego Homero escreveu duas Epopéias Clássicas: a Ilíada e a Odisseia. Ilíada tem como argumento a guerra travada entre gregos e troianos e tem como herói o semi-deus Aquiles:

  O herói épico

O herói da epopéia, a rigor, não constitui uma individualidade; mais se aproxima da personificação duma coletividade. O fundamento está no fato da epopéia ter tido sempre como objetivo um destino comunitário e não o de um indivíduo solitário. Ele goza inteira liberdade de ação no seu relacionamento com os demais personagens; mas subordina-se, tacitamente, à vontade dos deuses, em que pese sua condição de um ser poderoso, dotado de coragem e forças extraordinárias.

*   O GÊNERO LÍRICO

Na Grécia Antiga, as epopéias cumpriam a importante função de divulgar os ideais e valores que organizavam a vida na polis. Os poemas épicos, porém, não respondiam ao anseio humano de expressão individual e subjetiva.

A poesia lírica surge como uma forma de atender a esse anseio. Ela se define pela expressão de sentimentos e emoções pessoais. Uma outra marca característica de sua estrutura é o fato de dar voz a um sujeito lírico, diferente da narração impessoal própria da épica. No início, os poemas líricos eram cantados, geralmente acompanhados pela lira, instrumento musical de cordas. Foi do nome desse instrumento que se originou o nome do gênero.

  Formas da Lírica

Ode: os dois nomes vêm da Grécia e significam “canto”. Ode é a poesia entusiástica, de exaltação.

Elegia: é a poesia lírica em tom triste. Fala de acontecimentos tristes ou da morte de alguém. O “Cântico do calvário”, de Fagundes Varela, é, sem dúvida, a mais famosa elegia brasileira, inspirada na morte prematura de seu filho.

Idílio e Écloga: são poesias pastoris, bucólicas. A écloga difere do idílio por apresentar diálogo.

Soneto: a mais conhecida das formas líricas. Poema de 14 versos, organizados em duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas estrofes de três versos (tercetos).

Rima é a coincidência ou a semelhança de sons a partir da última vogal tônica no fim dos versos. 

 O metro é o número de sílabas métricas (poéticas) de um verso. A contagem dessas sílabas chama-se metrificação.

Quando contamos as sílabas de um verso, não devemos contar as que ocorrem após a última sílaba tônica do verso. A / mo/ -te / tan /to,/  meu/ a/ mor… não/ can/ te
O hu / ma / no / co / ra / ção / com /  mais / ver / da / de…

10 sílabas poéticas = decassílabo

*  O GÊNERO DRAMÁTICO

Aristóteles observava que o termo drama (do grego drân: agir) faz referência ao fato de, nesses textos, as pessoas serem representadas “em ação”. Ao identificar o drama como um dos gêneros literários, Aristóteles considerou uma característica importante desses textos: eram feitos para ser representados, dramatizados.

Textos dramáticos são aqueles em que a “voz narrativa” está entregue às personagens, que contam a história por meio de diálogos ou monólogos.

  A TRAGÉDIA CLÁSSICA

No início, a tragédia era uma encenação que apresentava ações humanas que simbolizavam a transgressão da ordem no contexto familiar ou social. O elemento trágico era a paixão (phatos), que levava os seres humanos a portarem-se de modo violento e irracional e, dessa forma, ignorarem as eis humana ou divinas que organizavam a vida. Os personagens eram nobres ou heróicas (deuses ou semi-deuses) e a encenação visava desencadear no público terror ou piedade. A “purificação” de sentimentos da platéia, provocada por essa experiência artística, recebeu o nome de “catarse”.

  O GÊNERO DRAMÁTICO NA IDADE MÉDIA

Devido à forte influência da religião católica, as peças de teatro medieval passaram a enfocar cenas bíblicas e episódios da vida de santos. Duas modalidades dramáticas tornaram-se bastante populares nesse período: o auto e a farça.

O auto é uma peça curta, em geral de cunho religioso. As personagens representavam conceitos abstratos, como a bondade, a virtude, a hipocrisia, o pecado, a gula, a luxúria. Isso fazia com que os autos tivessem um conteúdo fortemente simbólico e, muitas vezes, moralizante.

A farsa era também uma pequena peça, só que seu conteúdo envolvia situações ridículas ou grotescas. Tinha como objetivo a crítica aos costumes.

1 comentário

Arquivado em Uncategorized