Linguagem Conotativa – Figuras de Linguagem

– CONOTAÇÃO X DENOTAÇÃO

– POLISSEMIA

– FIGURAS DE LINGUAGEM

Conotação

Denotação é o emprego de palavra(s) no seu sentido próprio, comum, habitual, preciso, aquele que consta nos dicionários.

Conotação é o emprego de uma palavra tomada em um sentido figurado, que depende do contexto.

Quando um vocábulo possui mais de um significado, chamamos isso de polissemia. (do Grego poli, “muitos”, e sema, “significado”)

FIGURAS DE LINGUAGEM

COMPARAÇÃO

A comparação consiste na associação entre dois termos diferentes, mas entre os quais há algo que permite aproximá-los.

“Amar é como ter sede, depois de muito ter bebido”

João Guimarães Rosa

“Quero brincar no teu corpo feito bailarina“

Chico Buarque

METÁFORA

Na metáfora está sempre implícita uma comparação, ou seja, como que corresponde a uma associação comparativa entre duas realidades, entre duas ideias, mas coladas uma à outra sem quaisquer elementos que explicitem essa associação.

METÁFORA

“Se eu tivesse a força
Que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele
O teu desenho”

Engenheiros do Hawaii

“Ninguém me fará calar, gritarei sempre

que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,

negociarei em voz baixa com os conspiradores,

transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,

serei, no circo, o palhaço,

serei médico, faca de pão, remédio, toalha,

serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,

serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as excepcionais:

tudo depende da hora

e de certa inclinação feérica,

viva em mim qual um inseto.

Uma parte de mim sofre, outra pede amor,

Outra viaja, outra discute, uma última trabalha,

Sou todas as comunicações, como posso ser triste?”

Drummond

CATACRESE

A catacrese é a mudança na acepção de um nome, fazendo este representar, por analogia, um objeto, ou uma parte do objeto, para os quais não existem nomes de referência particulares:

– perna de mesa

– folha de papel

– braço da cadeira

– asa da xícara

– cabeça de alfinete

– banana de dinamite

– braço da poltrona

– cabelo de milho

– dente de alho

– enterrar uma agulha no dedo

– embarcar no avião

– maçã do rosto

METONÍMIA

Enquanto a METÁFORA se baseia numa relação de similaridade de sentidos, a METONÍMIA se constrói com base numa relação de contiguidade de sentidos.

METONÍMIA

“E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento”

Vinicius de Moraes

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus,

pergunta meu coração.”

Carlos Drummond de Andrade

PROSOPOPEIA OU PERSONIFICAÇÃO

A PROSOPOPEIA se dá quando atribuímos qualidades ou características humanas a tudo o que não seja humano (ideias, animais, plantas, coisas, objetos inanimados, o irracional, etc.):

“…. Deixa que o vento corra,
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra, enquanto eu,
mergulhado nos teus imensos olhos,
nesta noite imensa, descansarei,
meu amor…”

EUFEMISMO

O EUFEMISMO é usado para suavizar o caráter desagradável, horrível, penoso, grosseiro ou indecoroso, de um julgamento, de uma notícia, de um pensamento, etc.

Conotação

PLEONASMO

Designa as redundâncias mal formadas, sobretudo do ponto de vista gramatical e lexical:

Subi para cima

Desceu para baixo

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento”

Vinicius de Moraes

“Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.”

Cecília Meireles

ANTÍTESE

A ANTÍTESE consiste na oposição dos contrastes em estado puro. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

João Guimarães Rosa

PARADOXO

É uma ideia lógica que transmite uma mensagem que contradiz a sua estrutura. O paradoxo expõe palavras que apesar de possuírem significados diferentes estão relacionados no mesmo texto, por exemplo “Quando mais damos, mais recebemos”, “O riso é uma coisa séria”, “O melhor improviso é aquele que é melhor preparado”.

O Inferno São Os Outros

O que seria da tua beleza
Se eu fechasse os meus olhos pra você
O que adiantaria essa tua ideologia
Se tua própria liberdade se transformasse em opressão
Escute o meu silêncio

Talvez você nem tenha percebido
Que eu te quis também
Se ao menos eu pudesse te mostrar
Que o inferno são os outros

Assonância

Tal recurso define-se pela repetição de um mesmo fonema vocálico, como o que se manifesta nos versos de Manuel Bandeira, cuja criação tem como título A onda:

A onda

a onda anda

aonde anda

a onda?

a onda ainda

ainda onda

ainda anda

aonde?

aonde?

a onda a onda

Aliteração

Trata-se, também, de uma repetição, mas desta vez com o fonema consonantal, como o que amplamente identificamos por meio dos versos de Manuel Bandeira, inerentes ao poema:

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

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Concordância Nominal

Regra geral:

O artigo, o numeral, o adjetivo e o pronome adjetivo concordam com o substantivo a que se referem em gênero e número.

Ex.: Dois pequenos goles de vinho e um calçado certo deixam qualquer mulher irresistivelmente alta.

Mais de um vocábulo determinado:

1- Pode ser feita a concordância gramatical ou a atrativa.
Exemplos:

Comprei um sapato e um vestido pretos. (gramatical – o adjetivo concorda com os dois substantivos)

Comprei um sapato e um vestido preto. (atrativa, apesar de o adjetivo se referir aos dois substantivos, ele concordará apenas com o núcleo mais próximo)

Um só vocábulo determinado:

1- Um substantivo acompanhado (determinado) por mais de um adjetivo: os adjetivos concordam com o substantivo

Ex.: Seus lábios eram doces e macios.

Casos Especiais

1.Anexo, incluso, bastante, leso

Concordam com a palavra a que se referem:

Remeto-lhe anexas as certidões. O mapa anexo.

Seguem inclusas as procurações.  A procuração inclusa.
Bastantes alunos foram reprovados.
Este é um crime de lesa-pátria.
OBS: Bastante aparece também como advérbio – Ela parecia bastante preocupada
com a prova.

2.Pseudo, alerta, menos
Como são advérbios, ficam invariáveis:

Os vigias devem estar alerta.
Sempre desprezou pseudoprofetas.
A menina tinha menos obrigações que divertimentos.

3. É proibido, é bom, é necessário.
Sem modificações, ficam invariáveis.

É proibido entrada (Com modificação: É proibida a entrada)
Cerveja é bom. (Com modificação: Esta cerveja é boa)
Coragem é necessário (Com modificação: A coragem é necessária)

4.Mesmo, próprio, obrigado
Concordam com a palavra a que se referem

Ele mesmo. Ela mesma. Eu próprio. Eu própria.
O rapaz disse: muito obrigado.
A moça respondeu: muito obrigada.

5.Só, sos
Significando sozinho, solitário, único, são adjetivos e concordam com a palavra que
modificam

Pedro e Mário partiram sós. Augusto ficou só.
OBS: Significando apenas, somente, tornam-se advérbio e não variam:
Só eles tiveram coragem.
Vocês só fizeram isso??

6.Meio, meia, são variáveis como adjetivo; com valor de advérbio, meio é invariável.

Compramos meio quilo de feijão
Tomei meia xícara de leite
Encontrei-a meio triste
Eles estavam meio nervosos

7.Quite, quites. Variáveis porque são adjetivos:

Eu estou quite.
Eu e ela estamos quites com a mensalidade.

8.Adjetivos que funcionam como advérbios

Caro: As jóias custam caro.
Diferente: Eles trabalham diferente.
Direto: Fomos direto ao ponto de ônibus
Ligeiro: Sigam ligeiro, rapazes!
Rápido: O bandido sacou rápido a arma
Suave: A garota dançou suave.

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Resumos das Crônicas

Perdição – A crônica trata, de forma bem humorada dos vícios e das dificuldades de se livrar deles.

Livre – Mostra o paradoxo de um homem que ambiciona fugir da civilização e embrenhar-se na selva amazônica, mas não consegue se desapegar dos bens materiais que facilitam a vida moderna.

Quem tem olhos – O texto concentra-se nas reflexões feitas a partir de uma mulher postada à janela, diante de uma parede de um prédio vizinho. O fato, que inicialmente aparenta ser sem sentido, posteriormente se mostra pleno de significado, pois a mulher vê diante de si: fantasias, lembranças, desejos, projetados na parede à frente pela sua imaginação.

E a múmia tinha bolsa – Diante da descoberta de uma múmia de homem, e de que esta andava com uma espécie de bolsa, a crônica reflete sobre a importância desse acessório e sobre as semelhanças entre o Homem de tempos remotos e o homem moderno.

No zoológico em companhia – A autora  elaborou o texto usando como referência frases feitas, provérbios e apelidos em que aparecem nomes de animais.

Em “Amai o próximo etc. …”, Marina Colasanti comenta o problema da falta de educação e boas-maneiras que impera em nossa sociedade hoje em dia.

Em “Da importância do diploma”, Mario Prata ironiza a importância dada ao diploma na sociedade brasileira. Em forma de diálogo, a crônica mostra um pai ensinando ao filho como se dar bem no Brasil de hoje.

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O Romance de 30

O Romance de 1930

“As décadas de 30 e 40 foram marcadas por uma explosão do romance. Não por acaso, essa época é lembrada como “a era do romance brasileiro”. Os escritores, preocupados com o país em que viviam, privilegiaram a narrativa como instrumento de análise e denúncia de uma realidade que condenava milhares de brasileiros à miséria.

O prenúncio dessa tendência se dá com a publicação de A Bagaceira, em 1928, do paraibano José Américo de Almeida. A obra associa o olhar realista a um tema específico: a vida no nordeste brasileiro.

A partir daí, defini-se um nova tendência: a apresentação e a análise crítica da realidade brasileira, procurando alertar o leitor da condição de subdesenvolvimento do país, principalmente da região nordeste, denunciando as aguras da seca e da migração, a miséria, a fome e a ignorância sempre presentes na região rural. São retomados o regionalismo romântico e o Realismo do século XIX.

Abandonando a idealização romântica e a impessoalidade realista, o Romance de 30 inova ao apresentar o interesse pela relação entre os seres humanos e os espaços por eles habitados e no estudo das relações sociais, com uma visão crítica.

Lembre: O regionalismo não é uma escola literária. É um tipo de abordagem que está presente em diferentes escolas literárias. São considerados regionalistas os romances que abordam a realidade específica de uma região, caracterizada por particularidades geográficas e por tipos humanos específicos, que usam a linguagem de um modo próprio e têm práticas sociais e culturais semelhantes.

Assim, os escritores queriam demonstrar como o subdesenvolvimento brasileiro influenciou a vida dos seres humanos, como esses seres são influenciados pelo espaço em que vivem e almejavam traçar o perfil social e psicológico dos habitantes de determinadas regiões brasileiras.

Sobre a Natureza

“O exotismo e a exuberância da natureza brasileira tanto inspiraram os autores românticos quanto os modernistas.”

“O ufanismo nacionalista foi explorado no Romantismo, enquanto no Modernismo havia, para o nacionalismo, uma perspectiva crítica.”

“Para os românticos, a natureza exerceu profundo fascínio; nela eles viam a antítese da civilização que os oprimia.”

“Nas várias tendências do movimento modernista, a natureza não se apresenta transfigurada, mas real. Os modernistas não se consideravam nacionalistas exaltados só pelo simples fato de serem brasileiros. Antes de mais nada, não tinham medo de falar dos males do Brasil.”

GRACILIANO RAMOS

Nasceu em Alagoas em 1892 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. foi prefeito de Palmeira dos Índios (Alagoas) de 1928 a 1930. Seu nome já é citado como o maiorromancista brasileiro, ao lado de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Sua infância está ligada ao Nordeste brasileiro, de onde retirou elementos para a maioria dos seus romances: a paisagem agreste, pequenas cidades, o caboclo. Contudo, é bom ressaltar que nunca o cenário, embora importante, prevaleceu sobre o psicológico. Graciliano é o revelador da alma humana. Machado de Assis pesquisou o espírito humano, tendo como cenário a alta burguesia da    cidade do Rio de Janeiro no final do séc XIX; Graciliano Ramos mergulha no recôndito da alma humana, tendo como cenário o nordeste brasileiro nos começos do século XX.

A obra de Graciliano pode ser dividida assim:

-Romances escritos em primeira pessoa: de profundo mergulho na alma humana. São essencialmente romances psicológicos: Caetés, São Bernardo, Angústia.

-Romance escrito em terceira pessoa onde o psicológico cede um pouco à realidade exterior: Vidas Secas.
-Obras autobiográficas, em que o íntimo busca sua expressão mais pura: Infância e Memórias do Cárcere.
-Escreveu ainda: Histórias de Alexandre –  contos do folclore infanto-juvenil; Alexandre e outros Heróis contos e outros; A Terra dos Meninos Pelados conto infanto-juvenil;

-Crônicas: Viagem; Linhas Tortas.

Importante:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja  na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no  novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.“

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948

Observações sobre Graciliano Ramos:

Seu primeiro romance foi CAETÉS. Entre 1930 e 1936, relacionou-se com escritores da vanguarda da literatura nordestina, como José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. Em março de 1936, foi preso como subversivo e, mesmo sem provas contrárias, passou quase um ano no presídio. O depoimento exato dessa experiência foi feito em MEMÓRIAS DO CÁRCERE. Em 1945, estava consagrado, sendo considerado o maior romancista brasileiro depois de Machado de Assis.

O estilo conciso, a linguagem sóbria, a técnica da interiorização e a análise psicológica caracterizam-no, principalmente em sua obra “Angústia”.

De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e psicologia das personagens. Quanto à linguagem, eis algumas características apontadas pela crítica: a poupança verbal; a preferência dada aos nomes de coisas e, em conseqüência, o pouco uso do adjetivo; a sintaxe clara, em oposição ao à-vontade gramatical dos modernistas…

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Vanguardas Europeias

O expressionismo nas artes plásticas

 

O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos, o sentimento do artista. Utilizando cores irreais, dá forma ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição.

Há predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais.

Geralmente, os quadros retratam seres humanos solitários e sofredores. Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros mostram personagens deformados. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.

 

Principais características:

–     Pesquisa no domínio psicológico.

–     Técnica violenta: o pincel, ou espátula, vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões. O pintor recusa o aprendizado técnico e pinta conforme as exigências de sua sensibilidade.

–     Preferência pelo patético, trágico e sombrio. O artista vive não apenas o drama do homem, mas também da sociedade.

(Por: Nádia Cristina. Disponível em http: // http://www.meuartigo.brasilescola.com/

Anita Malfati - O Japones

 

O Dadaísmo, fundado pelo poeta romeno Tristan Tzara, condena a ordem que produziu a Primeira Guerra e critica a civilização, a religião e a moral. As declarações dos dadaístas são confusas propositadamente, objetivando, pela brincaideira, ridicularizar a sociedade, a arte e a cultura tradicional. Uma das principais técnicas dadaístas consiste na valoração de elemento considerado antiartístico, elevando-o ao patamar de possível apreciação: é a técnica do ready-made.

 

O movimento Futurista, iniciado por Marinetti, repercutiu principalmente na Literatura; porém, ele se expandiu para outras artes e é possível perceber sua influência em pinturas e esculturas de muitos artistas.

O Futurismo tinha como princípios a velocidade, a exaltação a novas máquinas e tecnologias, o desejo de transmitir o dinamismo das cidades em crescimento.

Com o objetivo de expandir as idéias futuristas para outras artes, Marinetti colaborou com pintores como: Gino Severini, Luigi Russolo, Umberto Boccioni e Carlo Carrà.

No entanto, quando da sua primeira exposição, a pintura futurista foi criticada por sua timidez. Isso fez com que Severini entrasse em contato com os cubistas e voltasse com novas ideias, aproveitando o uso de formas geométricas e os planos de intersecção.

Os futuristas apresentaram um conceito de “linhas de força”, que se tornou uma característica marcante de suas obras.

SURREALISMO
O termo surrealismo, cunhado por André Breton com base na idéia de “estado de fantasia supernaturalista” de Guillaume Apollinaire, traz um sentido de afastamento da realidade comum que o movimento surrealista celebra desde o primeiro manifesto, de 1924. Nos termos de Breton, autor do manifesto, trata-se de “resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade”. A importância do mundo onírico, do irracional e do inconsciente, anunciada no texto, se relaciona diretamente ao uso livre que os artistas fazem da obra de Sigmund Freud e da psicanálise, permitindo-lhes explorar nas artes o imaginário e os impulsos ocultos da mente.

Fonte: Itaucultural

CUBISMO
Movimento artístico cuja origem remonta à Paris e a 1907, ano do célebre quadro de Pablo Picasso, Les Demoiselles d’Avignon. Considerado um divisor de águas na história da arte ocidental, o cubismo recusa a idéia de arte como imitação da natureza, afastando noções como perspectiva e modelagem, assim como qualquer tipo de efeito ilusório. “Não se imita aquilo que se quer criar”, diz Georges Braque, outro expoente do movimento. A realidade plástica anunciada nas composições de Braque leva o crítico Louis Vauxcelles a falar em realidade construída com “cubos”, no jornal Gil Blas, 1908, o que batiza a nova corrente. Cubos, volumes e planos geométricos entrecortados reconstroem formas que se apresentam, simultaneamente, em vários ângulos nas telas. O espaço do quadro – plano sobre o qual a realidade é recriada – rejeita distinções entre forma e fundo ou qualquer noção de profundidade. Nele, corpos, paisagens e, sobretudo, objetos como garrafas, instrumentos musicais e frutas têm sua estrutura cuidadosamente investigada nos trabalhos de Braque e Picasso, tão afinados em termos de projeto plástico que não é fácil distinguir as telas de um e de outro. Mesmo assim, nota-se uma ênfase de Braque nos elementos cromáticos e, de Picasso, em aspectos plásticos.

Fonte: Itaucultural

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ROMANTISMO

Características gerais

– INDIVIDUALISMO e SUBJETIVISMO

A atitude romântica é pessoal e íntima. O mundo é visto através da personalidade do artista. A obra romântica é uma representação de uma realidade interior. A consciência de si passa a ser o princípio de qualquer conhecimento. Não há obediência à harmonia de formas. O disforme também pode ser bonito. A concepção de beleza é relativa.

– PRIMADO DO SENTIMENTO, EM DETRIMENTO DA RAZÃO

Exaltam-se os sentido, e tudo o que é provocado pelo impulso é permitido. Supervalorizam-se o amor, a virgindade, o sentimento nostálgico, a melancolia, o sonho.

– PESSIMISMO

A impossibilidade de realizar o sonho absoluto do “eu” gera a melancolia, a angústia, a busca da solidão, a inquietude, o desespero, a frustração que leva às vezes ao suicídio, refletindo a evasão na morte, solução definitiva para o mal-do-século.

– ESCAPISMO

É o desejo romântico de fugir da realidade que o oprime para um mundo idealizado.

– ILOGISMO

O romântico oscila entre pólos opostos de alegria e tristeza, entusiasmo e melancolia. Não há lógica no comportamento romântico.

– CULTO AO FANTÁSTICO, SENSO DE MISTÉRIO

O mundo romântico abre-se com facilidade para o mistério, para o sobrenatural. Representa com freqüência o sonho, a imaginação. O que acontece na obra é impossível de acontecer na realidade, pois é fruto de pura fantasia: não carece de fundamentação lógica.

– HISTORICISMO

Evasão no tempo, remetendo à idade Média, berço das nações européias (Medievalismo), ou evasão no espaço, para regiões selvagens, de povos não contaminados pela civilização.

– CULTO À NATUREZA

O escritor romântico é fascinado pela natureza. A natureza é um lugar de refúgio, puro, não contaminado pela sociedade, lugar de inspiração, de proteção.

– RELIGIOSIDADE

A fé comanda o espírito romântico.

O ROMANTISMO NO BRASIL

As gerações de poetas românticos

 

É muito diferente a poesia que despontou no início do Romantismo e aquela que surgiu no fim do período. Com base nas diferenças, podemos agrupar os poetas românticos em gerações, ou seja, grupos de autores que se assemelham e têm algo comum entre si.

– A Primeira Geração: Nacionalismo

Os primeiros poetas românticos foram marcados pelo predomínio do nacionalismo, do patriotismo e da ênfase que deram à natureza brasileira em suas poesias. Nesse contexto emergiu o indianismo. O índio era visto como representante de um passado histórico brasileiro, visto como lenda e mito, à moda dos cavaleiros medievais enxergados pelos europeus. O índio apareceu como formador do povo brasileiro e, como tal, foi idealizado: era visto sempre de ângulo positivo; a ele foram atribuídas características de herói, como aconteceu ns obras de Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

Nesta primeira geração romântica, pode-se detectar também uma forte religiosidade, identificando o Romantismo com o Cristianismo, em oposição à tendência pagã dos neoclássicos.

– A Segunda Geração: Byronismo, amor e morte

 A segunda geração foi extremamente subjetivista, centrada na temática do amor e da morte, da dúvida e do tédio. O culto do “eu” estava presente em todos os poetas dessa geração, notado por exagerada autopiedade, depressão e masoquismo. Byronianos, tiveram na figura do poeta inglês Lord Byron uma espécie de ídolo: ele representava o poeta desgraçado, perseguido pela sociedade, condenado à solidão. Predominava a imagem do poeta incompreendido, em desespero e revoltado pelo simples fato de estar existindo. Uma outra marca do excesso dessa geração é o mal-do-século, espécie de estado de espírito que levava ao desejo da morte como único modo de o indivíduo libertar-se do “fardo de viver”.

– A Terceira Geração: Condoeiros, Abolicionistas

 A poesia político-social, muito marcada pelo “condor” francês Victor Hugo, predominou nesta geração, que prezava a palavra altissonante e libertária. Muito convictos de seu papel libertário, os poetas da terceira geração adotaram o condor como seu símbolo. O condor – ave que habita o alto da cordilheira dos Andes – representava o “alto vôo que a palavra pode alcançar em defesa da liberdade”. O fundo ideológico dos poetas condoreiros era o ideal abolicionista e o culto ao progresso. Fez-se uma poesia liberal, que renovava o tema amoroso, cultivava o erotismo sensual e denunciava a escravidão, abria-se contra o conservadorismo e o atraso moral do império, além de pregar contra as injustiças sociais.

Castro Alves – o poeta dos escravos – é o representante máximo da terceira geração romântica, seguido do poeta Sousândrade, cuja poesia ficou esquecida durante muito tempo, e de Tobias Barreto.

 

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Parnasianismo e Simbolismo

Diante das cobranças das minhas crianças do segundo ano, estão aqui posts sobre Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo. O tempo está curto então não tive tempo de fazer bonitinho, bem organizado e completo. Esse post aqui foi um ctrl C – ctrl V de um livro, mas muito bom livro e vai valer a leitura.

PARNASIANISMO

Torce, aprimora, alteia, lima

A frase; e, enfim,

No verso de ouro engasta a rima

Como um rubim.

(Olavo Bilac)

 As principais características do Parnasianismo são: a contenção lírica, o culto da forma e a valorização da arte pela arte.

A contenção lírica é provocada pela busca de uma impessoalidade objetiva, que faz com que a emoção ceda lugar à sobriedade. O temor à exteriorização dos acontecimentos, considerada vulgar, fez com que, em muitas composições, a pretendida sobriedade se transformasse em impassibilidade, que marmoriza o verso.

O culto à forma, ilustrado pelo fragmento do poema “Profissão de fé” de Olavo Bilac (1865-1918), manifesta-se na excessiva preocupação com a técnica. As composições de forma fixa, como o soneto, haviam sido abandonadas no Romantismo para permitir maiores recursos de expressividade ao poeta. Retornam altamente valorizadas no Parnasianismo e, com elas, o verso alexandrino de doze sílabas. O rigor da forma reduz as licenças poéticas, a arte torna-se artesanal, trabalho de ourives, conforme as referências de Bilac no fragmento destacado. Difícil se torna revestir de graça e simplicidade uma peça que a disciplina das formas fixas e o exaustivo controle das combinações sonoras tomou sem espontaneidade, embora revestida de elegância. O poeta, segundo a concepção do estilo, era um artista com pleno domínio da ideação e da execução do poema, e não um vate, como queriam os românticos, guiado pela inspiração provinda de outras esferas.

A arte pela arte, de que já falamos em relação ao Neoclassicismo, é o princípio de que a arte não tem outro objetivo senão a expressão da beleza. O artista exclui-se da sociedade, vivendo apenas para sua arte. A preocupação social desaparece da poesia.

 PARNASIANISMO

• Características do Parnasianismo: — rigor formal

— impessoalidade

— contenção lírica

— presença da cultura

clássica

— arte pela arte

 SIMBOLISMO

 Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

de luares, de neves, de neblinas!…

…………………………………………………………

Formas do Amor, constelarmente puras,

…………………………………………………………

(…) as mais azuis diafaneidades.

(Cruz e Sousa)

 O Simbolismo floresceu, na Europa, nos anos 80 e 90 do século passado. Na mesma época em que os pintores impressionistas iniciavam a diluição dos contornos dos objetos nos jogos de luz, os poetas simbolistas renunciavam à tradução da forma fixa do objeto em favor do ritmo do devir, da fugacidade do momento. Buscavam a expressão de algo que escapa a uma forma definida e não é abordável por um caminho direto.

Pintura Impressionista

 Rimbaud (1854-1891), vendo na palavra um fim em si, concebe-a como símbolo de experiências sobrenaturais, usado não pelo propósito comum de troca, o que supõe a atribuição à palavra de um valor definido, mas atribuindo-lhe o poder de evocar associações. Foi esse expoente do Simbolismo francês quem disse:

 o poeta é um vidente por um longo, imenso e irracional desregramento de todos os sentidos.

 A essência dessa concepção é a crença em um mundo ideal, na acepção platônica, que só é realizável através da beleza. Antes de 1890, o Realismo já entrara em decadência.

Contraposto a ele, surge o gosto pela religiosidade e pelo incompreensível. Pela aproximação à concepção platônica de que o mundo sensível não é o real, a coisa em si não será, para o simbolista, o elemento principal a ser expresso, mas sim sua essência. Esta, porém, poderá ser apenas sugerida, e o perfeito uso dessa sugestão é o que constituirá o símbolo.

A palavra, antes presa a uma sintaxe ordenada — reflexo de uma concepção do mundo como uma estrutura lógica —, com a opção do simbolista pelo indefinido e pelo misterioso, liberta-se da ordem frasal e carrega-se de sugestividade irracional. Ela passa, então, a valer pela sua sonoridade, pois atribui-se a sons e ritmos a propriedade de estimular a imaginação para que a Idéia seja apreendida.

 Em síntese, o poeta simbolista caracteriza-se pela concepção mística do mundo; pelo interesse no particular e no individual, em lugar do geral que interessava aos realistas e parnasianos; pelo escapismo em que se aliena da sociedade contemporânea; pelo conhecimento ilógico e intuitivo; pela valorização da arte pela arte; pela utilização da via associativa.

Pintura Simbolista

 SIMBOLISMO

• Fator influente: — crise da concepção positivista da vida

• Características: — concepção mística do mundo

— interesse pelo indefinido e pelo mistério

— interesse pelo particular

— alienação do social

— flexibilidade formal

— conhecimento ilógico e intuitivo

— arte pela arte

 * Texto retirado do livro:

 PERÍODOS LITERARIOS

Lígia Cademartori

Série Princípios

Editora Ática

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Realismo e Naturalismo

Contexto Histórico

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial, iniciada no Século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo o avanço científico leva a novas descobertas nos campos da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexo industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial, mas pelo contrário, é explorada e sujeita a condições sub-humanas de trabalho.

 Esta nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas.

Numa seqüência cronológica temos:

 O Positivismo de Auguste Comte (1798 – 1857) – teoria científica que defende posturas exclusivamente materialistas e limita o conhecimento das coisas apenas quando estas podem ser provadas cientificamente. A realidade é apenas aquilo que vemos, pegamos e podemos explicar.

 O Socialismo Científico de Karl Marx (1818 – 1883) e Friederich Engels (1820 – 1895) – teoria científica que estimula as lutas de classe e a organização política do proletariado. É uma resposta da exploração do operário nas indústrias e nos grandes centros urbanos. Nessa teoria, Marx e Engels mostram o quanto o aspecto social está vinculado ao processo econômico e político.

 O Evolucionismo de Charles Darwin (1809 – 1882) – teoria científica que mostra o processo de evolução das espécies a partir da seleção natural, ou seja, diz que apenas “os fortes”, aqueles que têm condições de adaptar as adversidades, têm condição de sobreviver. Darwim, em sua obra Origem da Espécies (1859), questiona as teorias regiliosas sobre a criação, pois o homem não seria fruto do divino, mas da própria evolução das espécies.

 O Determinismo de Hippolyte Taine (1828 – 1893) – teoria que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça, e o momento histórico.

Características do Realismo: 

  1. Concepção materialista da realidade: o homem, a natureza e o universo estão intimamente associados num todo orgânico, sujeitos às mesmas leis naturais.
  2. A realidade deve ser captada através da observação, tal qual o cientista no laboratório.
  3. Os fatores psicológicos e sociais estão sujeitos às leis naturais; nada têm de espirituais ou transcendentais.
  4. Preocupação com a verdade.
  5. Preocupação em ser objetivo no trato dos personagens.
  6. Retrata a vida contemporânea dos personagens, pois só a vida do momento pode ser objeto de análise e observação, ao contrário dos românticos que amavam o passado.
  7. A narrativa realista move-se lentamente e é cheia de pormenores, aparentemente inúteis, mas usados propositalmente para retratar de modo mais fiel a realidade.
  8. Não existe o livre-arbítrio. Tudo são forças biológicas, atávicas e sociais.
  9. Clareza e harmonia; correção gramatical; retrato fiel dos personagens; linguagem próxima da realidade.

“Outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. hoje o romance estuda-o na sua realidade social. Outrora no drama, no romance, concebia-se o jogo das paixões a priori; hoje analisa-se a posteriori, por processos tão exatos como os da própria fisiologia. Desde que se descobriu que a lei que rege os corpos brutos é a mesma que rege os seres vivos, que a constituição intrínseca duma pedra obedeceu às mesmas leis que a constituição do espírito duma donzela, que há no mundo uma fenomenalidade única, que a lei que rege os movimentos dos mundos não difere da lei que rege as paixões humanas, o romance, em lugar de imaginar, tinha simplesmente de observar. (…) A arte tornou-se o estudo dos fenômenos vivos e não a idealização das imaginações inatas…”

 Eça de Queirós. Idealismo e realismo. In: Cartas inéditas de Fradique Mendes. Apud: SIMÕES, J. G.: Eça de Quirós – trechos escolhidos. Rio de Janeiro, Agir, 1968.

Romantismo – primeira metade do século XIX Realismo – segunda metade do século XIX
– Sentimentalismo doentio – Observação impessoal
– Olhos no passado – Olhos no presente
– Supremacia da imaginação – Supremacia da verdade física
– Espiritualismo, religiosidade – Materialismo, espírito científico
– Subjetivismo – Objetivismo
– Temas nacionais e regionais – Temas cosmopolitas
– Fantasia e imaginação criadora – Documentação da realidade
– Arrebatamento de idéias – Análise, reflexão, observação
– Monarquia – República
– Heróis extraordinários – Gente comum, vulgar
– O mundo é como eu vejo – O mundo é como ele é

 REALISMO X NATURALISMO

A aproximação dos termos Realismo e Naturalismo é muito comum nos livros de história da literatura. Em muitos casos eles são usados até como sinônimos. Isso ocorre porque existem muitos pontos em comum entre o romance Realista e o Naturalista. Como exemplo pode-se citar o ataque à burguesia ao clero e à monarquia.

As proximidades dessas estéticas são tantas, que, muitas vezes, é difícil classificar um autor e, até mesmo uma obra, como pertencente a essa e àquela corrente literária. Um bom exemplo é o escritor português Eça de Queiros, considerado por muitos críticos literários como sendo Realista e, por outros, como Naturalista.

Apesar de toda essa proximidade, é possível encontrar algumas diferenças entre a prosa Realista e a Naturalista. O Naturalismo é fortemente influenciado pela teoria evolucionista de Charles Darwin. Por isso, vê o homem sempre pelo lado patológico. Sob essa ótica o Homem se comporta como um animal, ou seja, não usa a razão, pois os seus instintos naturais são mais fortes. Ainda sob esse ponto de vista, o comportamento humano nada mais é do que o reflexo do meio em que o homem vive (Esse meio é composto por educação, pressão social, o próprio meio ambiente etc.). Esse homem, que ainda é subjugado( dominado moralmente, reprimido, amansado domesticado) pelo fator hereditariedade física, está preso a um destino que ele não consegue mudar. Um bom exemplo disso é o personagem “Pombinha”, da obra “O Cortiço”, de Aluíso de Azevedo. No início do romance ela era uma jovem cheia de virtudes e destinada ao casamento. No entanto, devido às influências do seu meio, cedeu ao homossexualismo e à prostituição.

O Naturalismo aprofunda a visão científica do Realismo, pois acredita no princípio de que somente as leis da ciência são válidas, renegando assim, qualquer tipo de visão espiritualista. Dessa forma, acredita que o comportamento do homem pode ser explicado cientificamente. Então, o escritor naturalista observa o seu personagem muito de perto, buscando conhecer as causas desse comportamento para chegar ao conhecimento objetivo dos fatos e das situações.

 A temática também é um dos pontos em que há diferenças significativas entre o Naturalismo e o Realismo. Os autores Naturalistas, sempre por meio de uma análise rigorosa do meio social e de aspectos patológicos, trazem para sua obra temas como a miséria, a criminalidade e os problemas relacionados ao sexo como o adultério e o homossexualismo, tanto feminino como masculino.

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Barroco

BARROCO

Surgimento: Europa, meados do século XVI – Brasil, início do século XVII. (Lembrar que, no Brasil, a literatura barroca acaba no século XVII, junto com o declínio da sociedade açucareira baiana. Contudo, na arquitetura e nas artes plásticas, o estilo barroco atingirá o seu apogeu apenas nos séculos XVIII e início do XIX, em Minas Gerais.)

Variações barrocas: cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca.

Características:

1) Arte da Contra-Reforma, expressando a crise do Renascimento, com a destruição da harmonia social aristocrática-burguesa através das guerras religiosas. Os jesuítas que surgem, neste período, combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua implacável ideologia teocêntrica.

2) Conflito entre corpo e alma. Dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor religioso, o homem barroco oscila entre:

· a celebração do corpo, da vida terrena, do gozo mundano e do pecado;
· os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna.

3) Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve, a vida é sonho, viver é ir morrendo aos poucos. Aguda consciência da efemeridade da existência e da passagem do tempo.

4) Linguagem ornamental, complexa, entendida como jogo verbal, cheia de antíteses, inversões, metáforas, alegorias, paradoxos, ausência de clareza. É um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do homem barroco.

Estilo Complicado e Ornamental

Se a harmonia formal dos clássicos correspondia ao equilíbrio interior e à sensação de segurança histórico-social, a forma conflituosa e exagerada dos barrocos traduz um estado de mal-estar causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã, entre a lascívia dos novos tempos e a tradição medieval. Traduz também o gosto pela agudeza do pensamento, pela artificialidade da linguagem e pelo desejo de causar assombro no leitor.

A audácia verbal não tem limites: comparações inesperadas, antíteses, paradoxos, hipérboles, inversões nas frases, palavras raras, estabelecendo um estilo retorcido, contraditório, por vezes brilhante, por vezes incompreensível e de mau gosto. Vejamos alguns exemplos:

  • Metáfora: Purpúreas rosas sobre Galatea / A aurora entre lírios cândidos desfolha. (Góngora)
    (A luz rosada do amanhecer banha o corpo branco da jovem Galatea)
  • Antítese: A aurora ontem me deu berço, a noite ataúde me deu. (Góngora)
  • Paradoxo: Amor é fogo que arde sem se ver; / é ferida que dói e não se sente; / é um contentamento descontente; / é dor que desatina sem doer. (Camões)
  • Jogo verbal: O todo sem a parte não é todo; / a parte sem o todo não é parte; / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte sendo todo. (Gregório de Matos)

Autores barrocos:

1) Gregório de Matos (Boca do Inferno)

Poesia religiosa – Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus, implorando perdão para os pecados cometidos.

 

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja* um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Poesia amorosa – Tem uma dimensão elevada , muitas vezes associada à noção de brevidade da existência, e uma dimensão obscena, onde a explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da época.

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente*
Em quem, senão em vós, se uniformara?

Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama florescente?
A quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio*, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo que tão bela, e tão galharda,
Posto que* os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

 

A MARIA DOS POVOS, SUA FUTURA ESPOSA

 

Discreta, e formosíssima Maria,

Enquanto estamos vendo a qualquer hora,

Em tuas faces a rosada Aurora,

Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:

 

Enquanto com gentil descortesia

O ar, que fresco Adônis te namora,

Te espalha a rica trança voadora,

Quando vem passear-te pela fria:

 

Goza, goza da flor da mocidade,

Que o tempo trata a toda ligeireza,

E imprime em toda flor sua pisada.

 

Oh não aguardes, que a madura idade,

Te converta essa flor, essa beleza,

Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

 

Poesia satírica – Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial baiana: senhores de engenho, clero, juízes, advogados, militares, fidalgos, escravos, pobres livres, índios, mulatos, mamelucos, etc. Com seu olhar ressentido de senhor decadente, Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção, negociata, oportunismo, mentira, desonra, imoralidade, completa inversão de valores. A poesia satírica, portanto, para ele é vingança contra o mundo.

A cada canto um grande conselheiro,
Quer nos governar cabana e vinha, *
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para a levar à Praça e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia.*

Estupendas usuras* nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Cabana e vinha: no sentido de negócios particulares.
Picardia: esperteza ou desconsideração.
Usuras: juros ou lucros exagerados.

2) Padre Antônio Vieira

Os Sermões

· Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica para convencer os fiéis de sua mensagem, mesmo quando trata de temas cotidianos.

· Ataca os vícios (corrupção, violência, arrogância, etc.) e defende as virtudes cristãs (religiosidade, caridade, modéstia, etc.)

· Combate os hereges, os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à Igreja.

· Defende abertamente os índios. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora tenta justificar a escravidão, ora condena veementemente seus malefícios éticos e sociais.

· Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. E julga (de forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil.

· Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI.

· Apresenta uma linguagem de tendência conceptista, de notável elaboração, grande riqueza de idéias e imagens espetaculares.

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Tendências Contemporâneas

O CONCRETISMO

LUXO              LUXO     LUXO           LUXO    LUXOLUXOLUXO

LUXO              LUXO          LUXO LUXO         LUXOLUXOLUXO

LUXO              LUXO                LUXO              LUXO             LUXO

LUXO              LUXO                LUXO              LUXO            LUXO

LUXOLUXO    LUXO          LUXOLUXO      LUXOLUXOLUXO

LUXOLUXO    LUXO    LUXO            LUXO    LUXOLUXOLUXO

(Décio Pgnatari)

Tem como marco inicial a publicação da revista “Noigandes” e como principais representantes os escritores paulistas Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos.

Características:

– Propunha incorporar, à poesia, os signos da sociedade moderna, aliando a observação dos aspectos formais e a observação crítica da realidade.

– Determina uma ruptura radical com o lirismo: a poesia intimista deveria ser substituída pela concretude das palavras, utilizadas no seu aspecto verbi-voco-visual (semântico, sonoro e visual).

– Combate a exclusividade do verso.

–  “Os elementos de composição característicos da poesia concreta são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes.“

– “Talvez se pudesse concluir que um poemaconcreto seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras.“

– “A poesia concreta significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial, e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade.“

Sabemos que a Poesia Concreta adota, entre outros procedimentos, a valorização do poema no espaço branco da página. Com apoio das artes gráficas, os textos ganham em expressividade visual.

POESIA PRÁXIS

O poeta Mário Chamie “opõe à palavra-coisa, do concretismo, a palavra-energia; não considera o poema como um objeto estático e fechado e sim como um produto dinâmico, passível de transformação pela influência ou manipulação do leitor”, fundando, assim, o movimento da Poesia Práxis.

Procura denunciar a desumanidade da vida moderna, do capitalismo, da exploração do operariado e do campesinato e outras questões adjacentes.

Apesar de possuir adeptos, pouco sobrevive ao momento e às razões que a motivaram.

AGIOTAGEM

um
dois
três
o juro:o prazo
o pôr / o cento / o mês / o ágio

p o r c e n t a g i o.

dez
cem
mil
o lucro:o dízimo
o ágio / a mora / a monta em péssimo

e m p r é s t i m o.

muito
nada
tudo
a quebra:a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota

h a j a   n o t a
agiota.

Mário Chamie

 

POESIA MARGINAL

O clima de experimentação da Tropicália influenciou, na década de 1970, a Poesia Marginal. Era marginal o modo como os poetas faziam circular sua produção: eles abandonaram os meios tradicionais (editoras, livros, livrarias) e levaram a poesia às praças, às ruas, às universidades. Os textos circulavam em cópias mimeografadas, distribuídos de mão em mão, jogados de edifícios.

A Poesia Marginal adotou o humor, tentando mostrar caminhos diferentes para a crise que, além de imobilizar, calava a sociedade brasileira.

Poema para ser transfigurado

quem somos

o que queremos

logo logo saberemos

por enquanto

sabemos

que um gesto

uma palavra

pode transformar o mundo

qual deles

qual delas

saberemos já já

esta a missão do artista:

experimentar

Chacal

Pegando carona na Poesia Marginal, mas desenvolvendo um caminho mais independente, surge a poesia plural de Paulo Leminski.

Tendo se interessado pela obra dos concretistas, Leminski explorou os trocadilhos, flertou com o processo de “palavra puxa palavra” e enveredou pela composição de haikais.

Haikai

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Haicai é uma forma poética oriental formada por 17 sílabas distribuídas em versos de 5 – 7 sílabas métricas. Também deve conter um termo referente a uma das estações do ano

Não Discuto

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

Carrego o peso da lua

Carrego o peso da lua,
Três paixões mal curadas,
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.Viver de noite
Me fez senhor do fogo.
A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não.
Esse, eu mesmo carrego.

Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

Paulo Leminsk

PROSA CONTEMPORÂNEA

Nas últimas décadas do século XX, a cultura brasileira vivenciou um período de acentuado desenvolvimento tecnológico e industrial; entretanto, neste período, ocorreram diversas crises no campo político e social.

As manifestações literárias desse período desenvolvem-se a partir de duas linhas:

a) De um lado, a permanência de alguns autores já consagrados como João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade, acompanhados de novos talentos como Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan, ligados às linhas tradicionais da literatura brasileira: regionalismo, intimismo, urbanismo, introspecção psicológica.

b) De outro lado, a ruptura com valores tradicionais que se dispersam através de propostas alternativas ou experimentais, buscando novos caminhos ou exprimindo de maneiras pouco convencionais as tensões de um país em repressão. Nessa vertente nascem o Concretismo, a Poesia Práxis e os Romances Fantásticos.

A prosa fica marcada pela quebra dos limites entre os gêneros literários: romance e conto, conto e crônica, crônica e notícias; desdobram-se e acabam incorporando técnicas e linguagens antes fora dos seus domínios. Dessa forma, aparecem romances com ares de reportagem, biografias com lances romanescos, contos parecidos com poemas em prosa ou com crônicas, etc.

Romance Regionalista

Seguindo um caminho tradicional, iniciado desde o Romantismo, uma safra de bons escritores continua a retratar o homem no ambiente das zonas rurais, com seus problemas geográficos e sociais.

Ex: Mário Palmério (Vila dos Confins); José Cândido e Carvalho (O Coronel e o Lobisomem); Antônio Callado (Quarup).

Romance Intimista

Na mesma linha de Clarice Lispector, caracterizando-se pela sondagem interior e pela indagação dos problemas humanos, vários autores fazem uso da investigação psicológica dos personagens, desnudando seus traumas, medos, anseios, problemas existenciais, etc.

Ex: Lygia Fagundes Telles (As meninas); Fernando Sabino (O Encontro Marcado); Chico Buarque (Estorvo); Lya Luft (Reunião em Família); entre outros.

Romance Urbano – Social

Retrata a vida nos grandes centros urbanos com seus problemas específicos: a burguesia e o proletariado em constante luta pela ascensão social, violência urbana, solidão e marginalização.

Romance Histórico

Une narrativa policial, fatos políticos e abordagem histórica.

Ex: Rubem Fonseca (Agosto); Ana Miranda (Boca do Inferno); Fernando Morais (Olga).

 

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